A presença de transtornos mentais na família costuma gerar dúvidas e preocupação entre parentes. Condições como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e transtorno do espectro autista (TEA) podem ter relação com fatores genéticos, mas especialistas explicam que o histórico familiar, por si só, não determina que alguém desenvolverá a doença.

Mulher emocionada segura a mão de terapeuta durante sessão de apoio psicológico.
Busca por ajuda profissional é um passo importante no cuidado com a saúde mental. Foto ilustrativa: Freepik.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a depressão atinge cerca de 280 milhões de pessoas no mundo, sendo um dos transtornos mentais mais comuns atualmente.

Pesquisas nas áreas de genética e psiquiatria apontam que diferentes transtornos têm algum grau de herdabilidade — ou seja, a presença da condição em familiares próximos pode aumentar o risco individual. Ainda assim, a maioria dos casos surge a partir da combinação entre genética e fatores externos, como estresse prolongado, experiências de vida, uso de substâncias e ambiente social.

Segundo o geneticista Carlos Aschoff, do DB Diagnósticos, a genética funciona como um fator de predisposição, mas raramente atua sozinha.

A genética tem um papel importante na predisposição a transtornos psiquiátricos, mas ela não atua de forma isolada na grande maioria dos casos. Em geral, estamos falando de condições multifatoriais, em que múltiplos genes interagem com fatores ambientais para o desenvolvimento de algum transtorno psiquiátrico

explica o especialista.

Quando o histórico familiar vira sinal de alerta

Especialistas apontam que o histórico familiar pode servir como um indicador de atenção, especialmente em algumas situações.

Entre os principais sinais estão:

  • presença do mesmo transtorno em vários membros da família;
  • casos registrados em diferentes gerações;
  • início precoce dos sintomas;
  • quadros mais graves ou associados a outros problemas de desenvolvimento.

Nesses cenários, médicos podem recomendar uma avaliação mais detalhada, que em alguns casos inclui investigação genética. O objetivo não é prever com certeza se alguém desenvolverá o transtorno, mas compreender melhor os fatores de risco e orientar o acompanhamento médico.

Testes genéticos ainda têm limitações

Uma dúvida frequente entre famílias é se existe algum exame capaz de prever, com precisão, a chance de desenvolver transtornos psiquiátricos.

De acordo com especialistas, a resposta ainda é não. Diferentemente de algumas doenças genéticas causadas por alterações em um único gene, transtornos como depressão ou bipolaridade envolvem múltiplos genes e fatores ambientais.

Hoje não existe um exame capaz de prever sozinho se uma pessoa terá depressão ou transtorno bipolar. Os testes genéticos ajudam a investigar causas em situações específicas e precisam sempre ser interpretados dentro do contexto clínico

afirma Aschoff.

Em quais casos a genética pode ajudar no diagnóstico

Apesar das limitações, os testes genéticos podem ter papel importante em situações específicas.

No transtorno do espectro autista (TEA), por exemplo, exames podem identificar alterações cromossômicas ou variantes genéticas associadas ao neurodesenvolvimento, principalmente quando há:

  • atraso global no desenvolvimento;
  • deficiência intelectual;
  • histórico familiar relevante.

A avaliação genética também pode ser útil em quadros psiquiátricos muito precoces ou considerados atípicos, ajudando a identificar doenças raras que afetam o funcionamento neurológico.

Medicina personalizada começa a chegar à psiquiatria

Outro campo que vem ganhando espaço é o da farmacogenética, área que estuda como o organismo de cada pessoa metaboliza medicamentos.

Em alguns casos, testes desse tipo podem auxiliar médicos a escolher o tratamento mais adequado e reduzir o risco de efeitos colaterais de remédios psiquiátricos.

Mesmo com os avanços da ciência, especialistas reforçam que a genética é apenas uma parte da equação. O diagnóstico e o tratamento da saúde mental dependem de avaliação clínica, acompanhamento médico e atenção aos sinais precoces.

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