A campanha “Março Amarelo” é dedicada para a conscientização sobre a endometriose, doença que afeta uma a cada dez mulheres no Brasil e provoca sintomas como dor incapacitante durante e fora do período menstrual, dor durante as relações sexuais é e uma das principais causas de infertilidade. 

Mulher com dor abdominal causada pela endometriose sentada em um sofá. Março Amarelo alerta para a endometriose, doença que provoca dor incapacitante
Cólica intensa durante e fora o do período menstrual são sintomas da doença. (Foto: Freepik)

O diagnóstico da doença envolve exames clínicos e de imagens. Muitas vezes, no entanto, a demora na detecção da doença ocorre porque a dor menstrual costuma ser normalizada pela sociedade, inclusive pelas próprias mulheres.

É o caso de Angélica Lopez Pereira, de 34 anos, moradora de Apucarana, que conta que chegou a ser internada devido à intensidade da dor. 

“Eu sempre tive muita cólica menstrual, era muito forte mesmo, de uma forma que não consigo explicar. Tinha hemorragias. Depois as dores ocorriam mesmo fora do período menstrual. Na sequência foi evoluindo para náusea, dores abdominais e pélvicas. Fazia exames e não constava nada, a explicação era que eu estava no período fértil ou tinha relação com o ciclo menstrual. Até que fui hospitalizada por conta de uma cólica muito forte e então se iniciou a investigação de endometriose”. 

Angélica precisou passar por uma cirurgia e, agora, segue em acompanhamento médico. “Estou muito satisfeita de ter tirado esse problema, porque só quem tem mesmo é que sabe e entende o que é a endometriose.

A professora da educação infantil, Rubya Tomassoni, já precisou passar por seis cirurgias para o tratamento da doença. A primeira foi de retirada do útero, e as demais para remoção do endométrio aderido a outros órgãos. 

“Fiz uma cirurgia recentemente e agora, com a orientação médica, iniciei a medicação que deve ajudar na redução do endométrio. Recebo esse medicamento pelo SUS, e estou muito confiante de que vai realmente me ajudar.

O relato da Mariana Fernanda Balbino, de 26 anos, moradora de Rolândia é semelhante. Ciclo menstrual desregulado, sangramento intenso, dor, inchaço. 

“A cada 15 dias, aproximadamente, eu estava no pronto socorro buscando atendimento para dor. A endometriose atrapalhou por muito tempo a minha vida social, afetou meu trabalho. Espero que agora, após a cirurgia, seja diferente”, destacou.

Atendimento no SUS 

No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) segue as diretrizes do Ministério da Saúde que apresenta o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose (PCDT). A orientação para quem precisa de atendimento é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência, aquela em que mantém o cadastro ativo. O acompanhamento será realizado por um médico ginecologista que indicará qual o melhor tratamento. 

“A endometriose representa uma barreira diária que afeta a vida profissional, pessoal e reprodutiva de muitas mulheres. Sentir dor incapacitante não é normal, então, alertamos às mulheres que é possível buscar atendimento na saúde pública”, destacou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

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