O hantavírus é a doença que mais ganhou destaque no primeiro semestre deste ano. A gravidade da infecção e a transmissão via contato com roedores comuns, como ratos, preocupam a população e autoridades sanitárias ao redor do mundo.

No meio de tudo isso, uma cidade da Serra Gaúcha vem registrando infestações de ratos nos últimos meses. Os moradores de Bento Gonçalves (RS) temem um surto da doença com o aumento dos animais em bairros da cidade.

Colagem com fotos de ratos e de servidores públicos combatendo a infestação dos animais, vetores do hantavírus.
População teme infestação de ratos, um dos vetores na transmissão do hantavírus. Foto: Reprodução/Pexels/Prefeitura de Bento Gonçalves

Ratos e hantavírus: como está a situação em Bento Gonçalves?

Entre fevereiro e março deste ano, moradores da cidade gaúcha gravaram vídeos dos ratos percorrendo ruas e vias urbanas em grandes quantidades. Os roedores aparecem até mesmo em praças públicas, mas o temor maior surgiu nesta semana.

Os ratos foram registrados próximos à Via Gastronômica, um dos principais pontos turísticos de Bento Gonçalves. Esta é uma das regiões mais visitadas e movimentadas da região, com restaurantes, bares e espaços de convivência que chegam a 900 mil visitantes por ano.

Moradores em alerta

Para o portal local Adesso, populares da cidade relataram medo com as infestações escancaradas em trechos públicos. A população descreve que centenas de ratos podem ser vistos circulando pela região, especialmente em dias de maior acúmulo de resíduos nas lixeiras.

“Eles estão tão à vontade que não têm mais medo da presença dos humanos. Estamos temendo o pior”

diz um empresário, que preferiu não se identificar ao portal.

A situação levou a população e políticos locais a solicitarem medidas para o poder público, que respondeu com ações de combate aos ratos. Saiba mais sobre a doença aqui.

O que diz a prefeitura?

Nas redes, a prefeitura de Bento Gonçalves anunciou ações pontuais para o controle da infestação. A partir de terça-feira (19), a Vigilância Ambiental em Saúde do município realizou serviços de desratização em bocas de lobo e redes de esgoto em diferentes bairros da cidade. Ao todo, 11 bairros passaram por ações do tipo em três dias.

“As equipes realizam aplicação de inseticidas e iscas raticidas em bueiros e galerias pluviais, reforçando a prevenção e a proteção da saúde pública”

afirmou a prefeitura.

Além disso, ela incita a população a reforçar hábitos de higiene e cuidado para evitar a proliferação. São eles:

  • descarte correto do lixo;
  • evitar o acúmulo de lixos;
  • manter alimentos bem armazenados;
  • colocar o lixo para coleta próximo ao horário do caminhão.

Como ocorre a transmissão do hantavírus?

O governo do Rio Grande do Sul anunciou que, até a data, dois casos de contaminação por hantavírus foram registrados no estado. Ambos foram em regiões rurais, nas cidades de Antônio Prado e Paulo Bento, e não têm relação com um cruzeiro que partiu da Argentina e que registrou três mortes.

Segundo o professor de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e infectologista Alexandre Schwarzbold, o estado registra casos todos os anos, normalmente vinculados a pessoas com contato direto com roedores ambientes contaminados pelas fezes e urina desses animais.

“A hantavirose é uma doença zoonótica, transmitida a partir de contato com roedores, comum em áreas restritas, rurais, ou em áreas de manipulação de algumas plantações, como o bambu, por exemplo, ou em períodos de estiagem. A gente sempre teve casos de hantavirose, mas são casos raros”

declara o especialista.

Somente em 2025, o estado registrou oito casos da doença, geralmente em áreas rurais e em contato direto com roedores. A transmissão, no entanto, não ocorre entre humanos, embora estudos sugiram a transmissão pelo sêmen humano.

Para o departamento de comunicação da UFSM, a doença “não é uma ameaça para a população urbana em geral”. O perfil de risco é predominante para trabalhadores rurais, agricultores e quem manipula grãos armazenados ou realiza atividades em matas e áreas de vegetação densa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também considera a possibilidade de uma pandemia da doença muito baixa.

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