O Brasil pode registrar mais de 53 mil novos casos de câncer de intestino por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA). A doença, também chamada de câncer colorretal, está entre as três mais frequentes no país, sem considerar tumores de pele não melanoma.

Montagem com ator americano e cantora brasileira que enfrentaram câncer de intestino, usada para ilustrar matéria sobre a doença e o Março Azul-Marinho.
Casos do ator americano e da cantora brasileira ampliaram o debate sobre o câncer de intestino e a importância do diagnóstico precoce. Foto ilustrativa: Reprodução.

O tema voltou ao debate recentemente após a morte do ator James Van Der Beek, conhecido pela série Dawson’s Creek. Ele morreu aos 48 anos, em fevereiro de 2026, após lutar contra um câncer colorretal em estágio 3.

No Brasil, a doença também ganhou grande repercussão após a batalha da cantora Preta Gil, que enfrentou o mesmo tipo de câncer diagnosticado em 2023 e que causou sua morte em julho de 2025.

Segundo o INCA, a estimativa é de 53.810 diagnósticos por ano, sendo 26.270 em homens e 27.540 em mulheres. O risco médio é de cerca de 25 casos para cada 100 mil habitantes, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste.

Os dados reforçam o alerta do Março Azul-Marinho, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal.

Especialistas afirmam que até 30% dos casos poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida e realização de exames preventivos.

Alimentação influencia no risco da doença

A alimentação é um dos principais fatores associados ao risco da doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de carne vermelha não ultrapasse 500 gramas por semana, o equivalente a porções menores do que um bife do tamanho da palma da mão por dia.

Segundo o oncologista clínico David Pinheiro Cunha, o ferro presente na carne vermelha pode contribuir para alterações nas células do intestino.

“Esse componente pode liberar radicais livres capazes de provocar mutações nas células do intestino. Respeitar o limite recomendado pela OMS já é uma forma eficaz de prevenção, sem que seja necessário adotar medidas radicais”

explica o médico.

Ele ressalta ainda que reduzir o consumo de carne vermelha não prejudica a ingestão de ferro, já que outras fontes de proteína podem suprir essa necessidade.

Sedentarismo e obesidade aumentam o risco

A prática regular de atividade física também é considerada fundamental na prevenção da doença.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2021, apenas 36,7% dos brasileiros eram considerados fisicamente ativos, ou seja, praticavam ao menos 150 minutos semanais de atividade física.

O sedentarismo e a obesidade estão entre os principais fatores de risco para o câncer colorretal.

“Mesmo em pessoas com predisposição genética, manter alimentação rica em fibras, reduzir o consumo de álcool e carne vermelha e praticar atividade física diariamente diminui significativamente as chances de desenvolver a doença”

alerta Cunha.

Segundo o especialista, outros hábitos também influenciam na prevenção. A qualidade do sono, por exemplo, ajuda no equilíbrio hormonal, no controle do peso e na redução de processos inflamatórios no organismo.

Colonoscopia pode detectar a doença antes que ela avance

Além das mudanças no estilo de vida, o rastreamento do câncer de intestino é considerado uma das principais estratégias para reduzir a mortalidade.

A colonoscopia é o exame indicado para identificar pólipos — pequenas lesões que podem evoluir para câncer — e removê-los antes que a doença se desenvolva.

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o exame é indicado para pessoas a partir dos 50 anos. No entanto, devido ao aumento de casos em adultos mais jovens, especialistas defendem que o rastreamento comece mais cedo.

“A colonoscopia não é apenas um exame diagnóstico, ela é preventiva. Ao identificar lesões precursoras, conseguimos interromper a evolução para o câncer. Essa antecipação da faixa etária é necessária porque estamos observando a doença surgir cada vez mais cedo, muito associada ao estilo de vida moderno”

afirma o oncologista.

Sintomas que podem indicar câncer de intestino

Nos estágios iniciais, o câncer colorretal pode não apresentar sintomas. Ainda assim, alguns sinais devem servir de alerta:

  • sangue nas fezes
  • mudança persistente no hábito intestinal
  • dor abdominal frequente
  • perda de peso sem causa aparente
  • fezes mais finas que o normal

Ao perceber qualquer um desses sintomas, a recomendação é procurar avaliação médica.

Quando diagnosticado precocemente, o câncer de intestino tem altas chances de tratamento e cura.

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