O Paraná registrou 1.404 casos da doença entre os anos de 2015 a 2024, que resultaram em 475 amputações e 231 mortes. Os dados são da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Estudos apontam que o Brasil é o país com maior incidência da doença no mundo, com uma taxa de até 6,8 a cada 100 mil pessoas, seguido da Uganda.

Homem com as mãos no pênis, região que pode ser acometida por câncer, que é causado principalmente pela falta de higiene.
Higienização adequada é essencial para evitar infecções, que são a principal causa da doença. (Foto: Freepik)

O Brasil teve 22,2 mil internações por câncer de pênis em dez anos, ultrapassando 580 amputações anuais. De 2014 a 2023 foram contabilizadas mais de 4,5 mil mortes em decorrência da neoplasia, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia.

O Dr. Lucas Vicente, urologista do Hospital Angelina Caron, explica que as inflamações recorrentes na região estão entre as principais causas da doença. 

“As condições que causam inflamações recorrentes geralmente são má higiene, pacientes que têm fimose e não conseguem expor adequadamente a região para higienização, infecção por agentes patológicos como o HPV e outras infecções sexualmente transmissíveis. O histórico de tabagismo e ter múltiplos parceiros sexuais também aumentam o risco da doença”. 

Ainda de acordo com o especialista, o baixo acesso à saúde e educação sanitária são fatores importantes, pois dificultam o acesso à educação sobre a higiene da região. 

É possível prevenir o câncer de pênis? 

A maior incidência do câncer de pênis costuma ocorrer em homens a partir dos 50 anos, mas ele também pode acometer os mais jovens. Vicente explica que evitar e tratar as condições que podem gerar a inflamação são medidas importantes para a prevenção da doença. 

“Também podemos citar o tratamento da fimose, tomar a vacina do HPV, usar preservativo nas relações sexuais e evitar o tabagismo, que é um fator de risco para vários tipos de câncer”. 

Os sinais de alerta para buscar um especialista, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, são: 

– Ferida que não cicatriza;

– Sangramento sob o prepúcio; 

– Secreção com forte odor;

– Espessamento ou mudança de cor na pele da glande (cabeça do pênis); 

– Presença de nódulos na virilha. 

Quando as amputações são necessárias

O tratamento do câncer de pênis vai depender sempre do estágio da doença, mas a remoção do tumor sempre é indicada, segundo o urologista Lucas Vicente. 

“O tratamento é baseado na remoção do tumor e a necessidade de amputação é baseada no estágio da doença, no tamanho da lesão e do quanto o câncer invade o tecido. Na maior parte das vezes, em casos iniciais, pequenas cirurgias e tratamento com algumas substâncias podem ser eficazes. Já, quando a doença está mais avançada, pode ser necessária a remoção de uma parte maior do tecido, que chamamos de amputação e, nessas situações, também pode ser necessária a cirurgia para remoção dos linfonodos e tratamento com quimioterapia e radioterapia”. 

Em caso de sintomas e possíveis dúvidas sobre a doença é necessário buscar a avaliação de um profissional capacitado para ter o diagnóstico e início do tratamento da forma mais breve possível. 

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