Acne e irregularidade menstrual não são os únicos problemas que afetam as mulheres com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), um distúrbio endócrino que pode representar alterações metabólicas importantes, como o pré-diabetes tipo 2. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 10% das mulheres em idade fértil apresentam a SOP.

Os especialistas consideram o pré-diabetes o estágio na qual a glicemia em jejum fica entre entre 100 e 125 mg/dl, uma condição que sinaliza um risco iminente de desenvolver o diabetes tipo 2, mas que ainda permite a reversão do quadro.
“O cenário da SOP no Brasil é de alerta vermelho. Estudos indicam que 50% das mulheres com a condição podem evoluir para o pré-diabetes e o diabetes tipo 2 antes mesmo dos 40 anos”,
– destaca Roberta Brito, líder da área terapêutica de cardiometabolismo e endocrinologia da Merck Brasil.
É o que aconteceu com a jornalista Maria Beatriz Melero, de 32 anos, diagnosticada com SOAP desde a adolescência. Ela viu seus exames entrarem na zona do pré-diabetes durante a pandemia, quando o ganho de peso e o sedentarismo levaram a taxas glicêmicas acima do 100 mg/mL. Ela conseguiu reverter o quadro com controle do peso e tratamento médico.
“Foi um susto saber do diagnóstico de pré-diabetes, especialmente por conhecer as consequências do diabetes no longo prazo. Por isso, busco manter a rotina de alimentação e atividades físicas sempre que possível, assim como a SOP como controle”, – destaca Maria.
O principal problema é a resistência à insulina, presente em 75% das pacientes com SOP, independentemente do peso corporal.
“As células do corpo de mulheres com o distúrbio metabólico não respondem adequadamente à insulina, o que força o pâncreas a produzir o hormônio em excesso. Esse bombardeio de insulina não apenas desregula os hormônios ovarianos, mas coloca a paciente em uma rota direta para o pré-diabetes e o diabetes tipo 2”
– conclui Roberta.
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