Um estudo sobre mortes por câncer no mundo estima que 43,2% das mortes provocadas pela doença no Brasil poderiam ser evitadas com medidas de prevenção, diagnóstico precoce e melhor acesso ao tratamento.

A pesquisa “Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo” estima que, dos casos de câncer diagnosticados no Brasil em 2022, cerca de 253 mil devem resultar em morte até cinco anos após a detecção e, dessas, 109 mil poderiam ser evitadas.
O levantamento faz parte da edição de março da revista científica The Lancet, uma das publicações médicas mais conceituadas internacionalmente.
Entre as mortes que poderiam ser evitadas (110 mil), os pesquisadores dividiram dois grupos: Em 65,2 mil casos as doenças poderiam ter sido prevenidas, ou seja, nem ter ocorrido. As outras 44,2 mil são classificadas como evitáveis por diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento.
Tipos de câncer
Ainda de acordo com o estudo, 59,1% das mortes que poderiam ser evitadas estão relacionadas aos cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero.
O câncer de mama foi o que mais teve mortes tratáveis, ou seja, número de pessoas que poderiam sobreviver recebendo o diagnóstico no tempo certo e acesso ao tratamento adequado. Foram 200 mil, o que representa 14,8% de todas as mortes em casos tratáveis.
Já considerando apenas os casos que poderiam ser evitados por medidas preventivas, o maior causador de óbito é o câncer de pulmão. Foram 1,1 milhão de mortes, correspondendo a 34,6% de todas as mortes preveníveis por câncer.
Mundo
Em todo o mundo, o percentual de mortes evitáveis é de 47,6%, ou seja, das 9,4 milhões de mortes causadas pela doença, cerca de 4,5 milhões poderiam não ter acontecido.
Os países do norte da Europa apresentam percentual de mortes evitáveis bem próximo de 30%. O mais bem posicionado é a Suécia (28,1%), seguido por Noruega (29,9%) e Finlândia (32%). Isso significa que, de cada dez mortes, apenas três poderiam ser evitadas.
Já no outro extremo, as dez maiores proporções de mortes evitáveis estão em países africanos. A pior situação é em Serra Leoa (72,8%). Em seguida, figuram Gâmbia (70%) e Malaui (69,6%).
A pesquisa revela que no grupo de países com baixo e médio IDH, o câncer de colo de útero é o primeiro na lista de mortes evitáveis.
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