O Sinpospetro (Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniências em Postos de Curitiba) entrou com uma petição na Justiça, nesta terça-feira (24), para participar do processo envolvendo o frentista vítima de racismo em um posto de combustíveis, em Curitiba.

Crime foi registrado por um dos frentistas – Foto: Reprodução

O presidente do Sinpospetro, Lairson Sena, disse à Banda B que a entidade quer defender o trabalhador da classe.

“Queremos defender o trabalhador e auxiliar a juíza no caso. Defender não só este trabalhador dessa situação absurda que aconteceu, mas também levar para a juíza outros casos que estão acontecendo e estamos acompanhando de perto”, explicou Sena.

Na petição, o sindicato afirma que diversos casos de violência estão acontecendo envolvendo frentistas.

“O episódio ocorrido com o trabalhador que é objeto desta ação penal é mais um desses lamentáveis casos de violência que assola a classe trabalhadora e o SINPOSPETRO não pode silenciar diante da gravidade e reprovabilidade dos atos perpetrados. É preciso deixar claro para toda a população que os frentistas e trabalhadores dos postos de combustíveis têm representatividade e voz na sociedade através de seu sindicato”, diz o sindicato no documento.

Relembre o caso

O caso em questão aconteceu na madrugada do dia 14 de outubro, dentro da loja de conveniência de um posto de combustíveis, no bairro Boqueirão, em Curitiba. O empresário Marcelo Francisco da Silva foi denunciado pelo Ministério Público (MPPR) por injúria racial, vias de fato e ameaça após chamar um frentista de “neguinho”, “macaco” e “nordestino dos infernos”. Um vídeo que mostra o momento viralizou em âmbito nacional pelas redes sociais.

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Suspeito de racismo e xenofobia se apresentou à Polícia Civil – Foto: Eliandro Santana/Banda B

Marcelo se apresentou à polícia dois dias depois do ocorrido e optou por permanecer em silêncio durante o depoimento. No entanto, a defesa do suspeito investigado afirma que o ato contra o funcionário do posto aconteceu em razão do “alcoolismo”.

Os advogados do empresário também afirmam que o suspeito foi “provocado” pela vítima dos insultos. No entanto, eles preferiram não revelar quais seriam as provocações mencionadas por enquanto.

Prisão

Na última sexta-feira (20), a juíza Katiane Fatima Pellin, da 6ª Vara Criminal de Curitiba, negou o pedido de prisão preventiva para Marcelo.

No lugar, determinou uma série de medidas cautelares, como a proibição de se aproximar a menos de 200 metros do posto de combustível onde ocorreram os fatos e das vítimas, bem como de manter contato com elas por qualquer meio, e recolhimento domiciliar das 20h às 6h e nos finais de semana. Além disso, ele deverá ser monitorado eletronicamente pelo prazo inicial de 90 dias.

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