As exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA) continuam em trajetória de queda e registraram o décimo mês consecutivo de retração em maio. Segundo relatório divulgado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), as vendas do País ao mercado norte-americano somaram US$ 3,09 bilhões no mês, valor 14% inferior ao registrado em maio de 2025.

Redução das exportações do Brasil para os EUA
A redução foi influenciada tanto por produtos atingidos por sobretaxas impostas pelos Estados Unidos quanto por itens que não estão sujeitos às barreiras comerciais. Entre os principais responsáveis pela queda estão o petróleo bruto, cujas exportações recuaram 38,1%, e o café não torrado, com retração de 39,1% na comparação anual.
De acordo com a Amcham, a diminuição das vendas de petróleo está relacionada à menor demanda dos Estados Unidos, enquanto o desempenho do café foi afetado por problemas de safra no Brasil. Ambos os produtos são isentos das sobretaxas aplicadas pelo governo norte-americano.
No caso dos produtos sobretaxados, o ferro fundido bruto apresentou queda de 30,4% em maio. Já os bens sujeitos à tarifa adicional de 10% registraram retração de 7,6% no período. Entre os setores mais afetados pelas medidas comerciais, a exportação de caminhões caiu 47,6%.
Menor nível de exportação desde 2022
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 14 bilhões, uma queda de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Amcham, trata-se do menor valor exportado para o mercado norte-americano entre janeiro e maio desde 2022.
Os dados mostram que tanto produtos sobretaxados quanto itens livres das barreiras registraram perdas. As exportações de bens sem sobretaxa recuaram 15,3% no acumulado do ano, enquanto os produtos sujeitos a tarifas adicionais apresentaram queda de 16,8%.
Entre os principais produtos vendidos aos Estados Unidos, os maiores recuos foram observados nos semiacabados de ferro ou aço (-19,4%), petróleo bruto (-42,4%), óleos combustíveis de petróleo (-7,4%), café não torrado (-37,9%) e celulose (-9,5%).
Por outro lado, alguns segmentos apresentaram crescimento nas vendas ao mercado norte-americano. As exportações de aeronaves e equipamentos avançaram 24,4%, enquanto carne bovina, equipamentos de engenharia civil e máquinas de energia elétrica registraram altas de 36%, 35,2% e 31,9%, respectivamente.
Déficit comercial aumenta
A queda das exportações ocorreu em um ritmo mais intenso do que a redução das importações brasileiras de produtos norte-americanos. Em maio, as compras do Brasil provenientes dos Estados Unidos somaram US$ 3,2 bilhões, recuo de 11% na comparação com o mesmo mês de 2025.
No acumulado de janeiro a maio, as importações atingiram US$ 15,5 bilhões, redução de 12,6%. Com isso, o déficit da balança comercial brasileira com os Estados Unidos aumentou 43,3% em relação ao mesmo período do ano passado e alcançou US$ 1,5 bilhão nos cinco primeiros meses de 2026.
A Amcham também destaca que as exportações de produtos sobretaxados vêm apresentando desempenho negativo desde o segundo semestre de 2025. Considerando o período entre agosto de 2025 e maio de 2026, as vendas desses bens aos Estados Unidos somaram US$ 13,6 bilhões, queda de 20,9% em comparação com os dez meses anteriores.
Segundo a entidade, o cenário reflete tanto os impactos das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos quanto fatores de mercado que afetaram importantes produtos da pauta exportadora brasileira ao longo de 2026.
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