No início da década de 1970 começava no Brasil a produção dos primeiros modelos de Maverick, um modelo de automóvel da Ford criado nos Estados Unidos que se tornou um sucesso no país norte-americano. O acontecimento não só marcava o ramo automobilístico como também a história do empresário curitibano Douglas do Carmo, que hoje conta com um acervo de Mavericks altamente customizados.

Aos 42 anos, o empresário do ramo de customização de performance para automóveis antigos – como se autodenomina – relatou à Banda B Classic Cars, cinco dias após a comemoração do Dia do Automóvel, como sua infância foi marcada por um dos carros mais emblemáticos da Ford.

“Meu pai teve um Maverick em 1978 e nós sempre saíamos juntos. Essa paixão, que começou quando eu era pequeno, acabou passando de pai para filho. No início dos anos 2000, comprei meu primeiro Maverick”, afirmou ele, ao apresentar o modelo GT 1973/1974, de cor vermelha.

Segundo Carmo, o veículo, no entanto, chegou até ele com a cor branca. Apesar de ter realizado um sonho ao comprá-lo, ainda faltava deixar a tal raridade da forma como gostaria a partir de uma completa customização.

Em cerca de quatro anos, o carro ganhou um motor stroker 347 com cabeçote de alumínio, sistema de ignição MSD, radiador e polias de alumínio, além de rodas Foose. “Ele também tem lanternas GT 500, do Mustang, kit de freio Wilwood, suspensão bem trabalhada e um kit nitro”, acrescentou.

Em 2009, foi a vez de outro modelo de Maverick entrar na garagem do empresário, um LDO (Luxury Decor Option) 1977 de cor branca. De acordo com Douglas, a customização deste exemplar foi “mais apimentada”.

“Motor stroker 352 com 4 Weber 4, kit nitro, rodas Boss aro 18, kit de frios de competição da Wilwood, kit MSD, cabeçotes de alumínio Edelbrock com interior de cor caramelo, bem monocromático”, disse, sobre a versão mais cara do Maverick e acabamento mais refinado.

Três anos mais tarde, em 2012, Douglas decidiu acrescentar um Maverick Grabber 1974 à sua coleção, um modelo que, segundo ele, é “um monstro”. A restauração do veículo teve início logo na cor Blue Grabber. Em seguida, houve o acréscimo de faixas laterais pretas com sidemarkers originais nos para-lamas traseiros e dianteiros.

Para ele, o processo de restaurar a mecânica do modelo foi a parte mais difícil. Apesar disso, hoje, o carro conta com um motor 347 Stroker Supercharger Injection, cabeçotes de alumínio, comando de válvulas específico para supercharger, bomba de água elétrica com kit de polias de radiador de alumínio, suportes e dobradiça do cofre em Billet e rodas Special Order, da marca Centerline fabricadas em Billet especialmente para o projeto.

“Fizemos ele em modelo americano, com uma receita bem ousada e bem mais evoluída para a época. Tem muitas peças exclusivas neste projeto, com muitas peças desenvolvidas e fabricadas por nós do Performance V8.”

E não para por aí. Em 2015, ele decidiu comprar uma caminhonete C10 1973 da Chevrolet, que é apelidada de Jurema. O modelo, segundo o empresário, levou cerca de dois anos e meio para chegar ao resultado que gostaria.

“Tem motor de Camaro, 383 polegadas, com câmbio de Corvette, 700R4. Mandamos também fabricar as rodas na American Race, uma empresa dos EUA que fabrica rodas para diversos projetos. Foi colocado kit de freio Wilwood de 390mm com pinças de 6 pistões na dianteira e traseiro com kit de freio Wilwood de 300mm com pinças de 4 pistões de alta performance. Desenvolvemos muitas peças usinadas Billet para esse carro. Fabricamos suspensão dianteira tubular e colocamos coil over Billet QA1 com dupla regulagem. Fabricamos também a suspensão traseira 4Link com wishbond, stabilizer bar anti roll acompanhados de coil over QA1 dupla regulagem. O painel também foi desenvolvido por nós. Levamos quase 3 mil horas para fazer esse carro”, explicou.

Em 2017, Douglas comprou, ainda, outro modelo de Maverick Super Luxo 1974 e colocou o motor Coyote GEN2, com dezenas de peças de alto padrão e performance, que tem uma mecânica inspirada em outro veículo da Ford: o Mustang. Recentemente, ele adquiriu outro exemplar do clássico que predomina sua garagem, que deve começar a ser restaurado em 2023.

Diante dessa verdadeira linha do tempo, Carmo responde que toda a linha de Mavericks lhe chama atenção. E não é para menos. De acordo com ele, a performance do modelo é o diferencial em relação a outros carros antigos.

“A esportividade CV8, a potência do motor… esse modelo propicia a nostalgia e me faz lembrar da infância, época que me marcou muito. A conexão com a infância fez com que eu pudesse trabalhar com isso na vida adulta”, disse o empresário, que gerencia a empresa Performance V8, uma loja especializada em peças, equipamentos e serviços para carros dos mais diversos modelos de automóveis antigos da década de 1960/70, da era dos Muscle Cars.