Fazer uma tatuagem costuma ser uma experiência marcante, mas especialistas em saúde alertam para um risco pouco conhecido: uma doença ocular rara ligada a tatuagens.

Imagem mostra um jovem com as mãos cruzadas. O braço e as mãos são tatuados. O tema é doença ocular que pode ser provocada por tatuagem. O jovem usa regata branca e aparece deitado.
Organismo pode reagir de forma inesperada e provocar doença relacionada à tatuagem. (Foto ilustrativa: Freepik).

Tintas usadas nos procedimentos podem conter substâncias químicas tóxicas, algumas delas associadas à inflamação nos olhos e até perda permanente da visão.

Segundo a médica Deborah Fischer, oftalmologista especializada em uveíte, existe o risco do paciente desenvolver complicações graves que podem levar a perda visual, incluindo edema macular cistoide, membranas pupilares e glaucoma uveítico.

No Brasil, ainda não se tem dados exatos sobre a uveíte associada a tatuagens, no entanto, há registros da doença no país. Já na Austrália, onde cerca de um terço da população possui tatuagens, médicos têm registrado um número crescente de diagnósticos.

O que é a uveíte associada a tatuagens

De acordo com a oftalmologista, a uveíte associada a tatuagens é uma condição rara em que os pacientes podem apresentar uma inflamação ocular potencialmente grave e inflamação granulomatosa – quando os glóbulos brancos se unem para tentar isolar substâncias estranhas ou infecções que o corpo não consegue eliminar – na região do procedimento.

Os sintomas da doença podem incluir queixas de visão turva com aumento da dor ocular, vermelhidão e fotofobia bilateral (sensibilidade excessiva à luz). O principal fator de risco para essa condição é justamente a presença de tatuagens no corpo.

A especialista Fischer ainda explica que as tatuagens devem ser examinadas e os pacientes precisam passar por exames para sarcoidose, uma doença inflamatória que afeta principalmente os pulmões.

Tratamento para doença ocular rara associada a tatuagens

O tratamento para o diagnóstico de uveíte associada a tatuagens incluem corticosteroides tópicos, corticosteroides sistêmico e agentes poupadores de esteroides, explica a oftalmologista.

Entretanto, segundo a especialista, não é recomendada a remoção a laser. O procedimento pode dispersar os pigmentos e intensificar a inflamação. Já a excisão cirúrgica da tatuagem pode ser considerada em casos selecionados.

Para quem sofre com a inflamação, a médica aconselha que os pacientes evitem fazer novas tatuagens, justamente pela exposição repetida à tinta, o que pode piorar a inflamação ocular.

Regras menos rígidas sobre as tintas podem resultar em doença

Além disso, especialistas apontam que a Austrália possui regras menos rígidas sobre os componentes dessas tintas quando comparada a outras regiões. Na União Europeia, por exemplo, diversas tintas permitidas na Austrália são proibidas.

Embora a maioria das pessoas não apresente reação aos pigmentos utilizados nas tatuagens, em alguns casos o organismo pode reagir de forma inesperada.

Isso ocorre quando o sistema imunológico identifica a tinta como uma ameaça e começa a atacar o local tatuado. Essa resposta pode provocar inflamação na pele e em outras partes do corpo.

Conforme a especialista Fischer, é preciso aprofundar os estudos sobre as substâncias da tinta que podem causar a doença.

“Em relação à tinta, ainda há necessidade de mais estudos para definir qual composto específico e até mesmo qual coloração do pigmento está associado a reação inflamatória”

explica a médica oftalmologista especializada em uveíte.

Casos estão aumentando, apontam estudos

Um estudo de 2025 realizado por especialistas australianos analisou 40 casos conhecidos de uveíte associada a tatuagens, registrados entre 2023 e 2025. Com esses novos registros, o número global de casos dobrou desde 2010.

Apesar de ainda ser considerada rara, pesquisadores alertam que a condição pode ser mais comum do que se imagina, e alguns especialistas já a classificam como um possível problema de saúde pública.

Os dados indicam que os pacientes desenvolveram inflamação entre três meses e dez anos após fazer a tatuagem. Uma revisão científica publicada em 2026 também apontou que tatuagens maiores e feitas com tinta preta apresentam maior probabilidade de desencadear a doença.

Quando procurar ajuda médica

Especialistas recomendam atenção a qualquer sinal incomum após fazer uma tatuagem. Se houver inchaço no local tatuado, dor repentina nos olhos, vermelhidão ou alteração na visão, o ideal é procurar rapidamente um oftalmologista.

Caso seja diagnosticada a uveíte relacionada à tatuagem, o paciente poderá ser encaminhado para tratamento especializado para a doença. A médica explica por quais especialistas o tratamento deve ser realizado.

“Deve ser acompanhado por um oftalmologista e, se necessário, por um reumatologista ou dermatologista”

afirma.

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