A desinformação, a vergonha e o tabu ainda dificultam o diagnóstico precoce do câncer de testículo, doença que atinge principalmente adolescentes e adultos jovens, entre 15 e 34 anos. Apesar de ser considerado raro no geral, é o tumor maligno mais comum nessa faixa etária masculina.

Dados recentes apontam que o Brasil deve registrar cerca de 1,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028. Quando identificado nos estágios iniciais, as chances de cura ultrapassam 95%, reforçando a importância da atenção aos sinais do corpo e da busca por avaliação médica.
Sintomas do câncer de testículo podem passar despercebidos
O oncologista Denis Jardim, especialista em tumores urológicos, alerta que os sintomas nem sempre causam dor, o que contribui para o atraso na procura por ajuda.
Entre os principais sinais estão:
- Nódulo no testículo (geralmente indolor)
- Aumento ou endurecimento da região
- Sensação de peso na bolsa escrotal
- Dor leve na parte inferior do abdômen
- Sangue na urina
- Sensibilidade nos mamilos (raro)
- Puberdade precoce
O especialista destaca que o autoexame pode ajudar na identificação precoce. O ideal é realizá-lo uma vez por mês, preferencialmente após o banho quente, quando a região está mais relaxada.
Vergonha ainda é barreira para diagnóstico
Segundo o médico, muitos jovens evitam falar sobre o assunto, até mesmo com familiares ou parceiros. Esse comportamento pode atrasar o diagnóstico e comprometer o tratamento.
“A conversa aberta dentro da família é essencial para quebrar o tabu e incentivar o cuidado com a saúde”
orienta o oncologista.
Histórico familiar aumenta risco
Alguns fatores podem elevar o risco da doença, como:
- Histórico familiar de câncer de testículo
- Casos anteriores da doença
- Criptorquidia (quando o testículo não desce para a bolsa escrotal na infância)
Mesmo após correção cirúrgica na infância, pacientes com histórico de criptorquidia devem manter acompanhamento médico até a vida adulta.
Diagnóstico começa no consultório
A primeira etapa do diagnóstico é o exame clínico. Caso haja suspeita, o paciente é encaminhado para ultrassonografia da bolsa escrotal e exames laboratoriais para identificar marcadores tumorais.
Exames de imagem, como tomografia, podem ser solicitados para avaliar o estágio da doença e definir o tratamento mais adequado.
Tratamento e fertilidade
O tratamento varia conforme o estágio do tumor, podendo incluir cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. A retirada do testículo (orquiectomia) é comum e, na maioria dos casos, não compromete a vida sexual quando apenas um é afetado.
Antes de iniciar o tratamento, médicos orientam discutir a preservação da fertilidade. O congelamento de esperma é uma das alternativas recomendadas.
Especialistas reforçam que não há formas de prevenir o câncer de testículo, mas o diagnóstico precoce faz toda a diferença no prognóstico.
“A maioria dos homens ainda procura atendimento apenas quando já apresenta sintomas avançados. Precisamos falar mais sobre o tema para reduzir o preconceito e salvar vidas”
conclui o médico.
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