“Quase fiquei paralítico”, disse o comerciante Diego Greboge, de 40 anos, sobre um grave acidente de moto sofrido por ele há cerca de dez anos. A história do profissional autônomo, além de carregar traços de superação, é calcada também em fortes emoções.

Em entrevista à Banda B Classic Cars, Greboge relatou que foi após o acidente ocorrido em 2003, no Norte do Paraná, que decidiu deixar as motocicletas de lado para se dedicar à restauração de carros antigos. De acordo com ele, apesar de os veículos de duas rodas serem sua paixão desde criança, os automóveis sempre fizeram parte de sua vida.

Foto: Arquivo pessoal

“Não tive incentivo da família, mas sempre gostei muito do mundo dos automóveis. Entre 1994 e 2003, sempre tive motocicletas, mas em 2003 acabei me acidentando e fiquei bem ruim durante um ano, quase fiquei paralítico“, afirmou.

Após lenta recuperação, a ideia de voltar a pilotar uma moto passou longe, segundo Diego. Para suprir a paixão por veículos, a saída foi se dedicar aos carros antigos. O primeiro carro a chegar em sua garagem foi um Opala Comodoro 1977.

Pouco tempo depois, Greboge realizou o sonho de ter um verdadeiro clássico da Chevrolet: a caminhonete C10. Embora tenha comprado a picape em 2012, ainda há algumas alterações que devem ser feitas.

“Em 2012, montei esse projeto na minha cabeça… de pegar um carro nacional e instalar uma mecânica americana. Comprei ela de um senhor que morava no [bairro] Umbará. Ela era bem usada, mas eu vi um potencial para deixá-la do jeito que eu imaginava”, relembrou o comerciante.

A caminhonete C10 chegou ao mercado em 1974 com a proposta de ser resistente, ao contrário de alguns modelos de picapes disponíveis à época. O exemplar, a título de comparação, substituiu as linhas C14 e C15, que tinham um custo alto. A C10, ainda, foi lançada também em versão cabine dupla, com capacidade para seis pessoas.

Algo curioso é que a Chevrolet chegou a lançar versões da picape destinadas ao Exército e à Marinha do Brasil. Nelas, não havia teto fixo, e os para-brisas eram basculantes. Diante disso, há de se destacar: resistência é o forte do modelo.

A C10 de Diego logo começou a ser restaurada, tanto em relação à pintura quanto lataria e demais atributos. No entanto, a cor, segundo ele, deveria ser a mesma: um laranja que chama a atenção de qualquer curioso.

“Sofremos bastante com a mão de obra. Hoje em dia é difícil encontrar profissionais que fazem esse tipo de serviço. Na parte de lataria e pintura, levei cerca de dois anos para concluir”, disse ele sobre o modelo que já foi líder de vendas no mercado nacional.

A reforma mecânica, segundo ele, também levou um bom tempo para chegar ao resultado que gostaria. “Estamos estudando se vamos alongar o diferencial, se iremos alargar a parte traseira… mas está quase finalizada”, prosseguiu.

Sobre algumas características de fábrica da caminhonete, ele é sincero ao sustentar que a C10 não é uma das mais seguras e confortáveis. As constantes reformas, diz ele, vieram com o objetivo de transformar essa realidade.

A suspensão, por exemplo, já não é mais a mesma, bem como a direção – que passou a ser hidráulica. O sistema de freio agora é a disco e há também cabeçote de alumínio, carburação alterada e escapamento inteiramente reformado. Diversos traços da C10 dele, conta, são inspirados em outro clássico da Chevrolet: a Silverado.

Ao ser questionado sobre a caçamba da C10, que tem capacidade de suportar mais de 750 kg, Diego brinca: “Não coloco nada sobre ela nem subimos em cima. Brilha mais que o chão da minha casa”.

Se engana quem pensa que o autônomo se dedica apenas à caminhonete. De acordo com ele, há nada mais nada menos que 11 modelos de Opala em sua coleção, que dividem espaço com a C10 e outros veículos.

A ideia, agora, conforme o comerciante, é dar continuidade à história com os carros. “A história que tenho com a C10 até agora, em específico, foi focada na restauração. Até o final deste ano, espero que ela esteja 100% do jeito que gosto para fazermos muita história”, concluiu.