A Polícia Civil está cada vez mais próximo de entender completamente como ocorreu a morte do adolescente Caio José Ferreira de Souza Lemes, de 17 anos. No local do crime, que aconteceu no dia 25 de março, os guardas garantiram que o rapaz havia reagido a uma abordagem. Nesta segunda-feira (3), porém, o depoimento de um dos guardas – exibido pelo Balanço Geral Curitiba, da RIC TV – mudou a história: Anderson Bueno disse que a faca apontada como do adolescente foi plantada no local do crime. Veja os vídeos do depoimento abaixo.

O estudante Caio José Ferreira de Souza Lemes – Foto: Arquivo Pessoal.

Anderson contou que a equipe da GM parou para abordar suspeitos, numa decisão tomada pelo guarda Edilson Pereira da Silva, mas que não havia denúncia de tráfico no local. Segundo o guarda, Caio não estava junto com os três no momento da ação. 

“Não vi de onde ele saiu, acredito que ele tenha vindo do bosque. Acho que quando ele viu nós ali, ele deve ter se assustado. Como se assustou, talvez o Edimar tenha visto e achou que ele tinha alguma coisa […]. Como ele correu, essa parte eu vi, eu também fui correndo junto”. 

O depoimento de Anderson durou, ao todo, 18 minutos. Em um dos trechos, ele conta que após Caio correr, a equipe foi atrás e ele acredita que o adolescente tenha se assustado ao ouvir o barulho da viatura batendo em uma coluna.

“Quando ele bateu na coluna, o Caio meio que se assustou e se entregou. Ele colocou a mão na cabeça, virou, se ajoelhou e estava na posição de deitar”. 

O GM conta que Edilson desceu da viatura e foi atrás de Caio, na posição de abordagem.

“Eu já não estava correndo mais. Escutei só ‘pá’, barulho do tiro. Fui correndo e chegando ao local próximo, quando me aproximei, ouvi o Edilson dizendo ‘eu não sou de ficar com o dedo no gatilho, eu não sei o que aconteceu’, ele estava transtornado, se jogou no chão meio que implorando e eu fui ver o que aconteceu, hora que olhei vi o sangue escorrendo”. 

Faca plantada

O socorro foi chamado com ajuda até de um celular de uma moradora. Foi aí que, segundo o guarda municipal, a faca surgiu na cena do crime.

“Escutei o barulho de uma faca, um metal caindo. Quando escutei o barulho como se alguém tivesse jogado o metal, eu olhei. Eu conhecia aquela faca de algum lugar”. 

Anderson contou que a faca surgiu numa abordagem que a equipe fez, quando abordou dois usuários e um deles estava com a faca. A faca, que não tinha cabo, foi jogada para dentro da viatura, segundo o guarda, e por isso ele lembrava do objeto. 

“A maconha eu tenho certeza que estava com Caio, porque quando chegou a perícia, eles tiraram dele. Supostamente ele não iria correr se não tivesse nada com ele, por isso correu, porque estava com a droga, mas a faca não”. 

Disparo acidental

Quando questionado pelo delegado Eric Guedes, responsável pelas investigações, se a faca foi plantada no local do crime, Anderson confirmou. O delegado também perguntou se o GM viu algum guarda da equipe combinando a situação, e ele confirmou.

“Edimar chegou perto de mim e falou ‘negócio é o seguinte, a faca estava com ele, é isso e pronto’. Edilson estava transtornado, não tinha nem condição […]”. 

Segundo o guarda municipal, o desespero de Edilson era por conta do disparo, que na avaliação dele, foi acidental.

“Ele foi atendido na Unidade de Saúde São Miguel, chorando e transtornado, nosso medo era de que ele pegasse a arma e desse um tiro na própria cabeça. Foi disparo acidental”. 

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GM diz em depoimento que faca plantada após morte de adolescente era de outra ocorrência; vídeo

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