Dois dos três guardas municipais envolvidos na morte do adolescente Caio José Ferreira de Souza Lemes, 17 anos, se apresentaram à polícia nesta segunda-feira (3). O estudante foi morto no dia 25 de março, após abordagem no bairro Campo Comprido. Eles se apresentaram ao 11º Distrito Policial, no bairro Portão, em Curitiba.
De acordo com a apuração da Banda B, o terceiro agente municipal esteve na delegacia no período da manhã e, em depoimento, afirmou aos investigadores que os dois colegas teriam plantado uma faca na cena do crime para justificar uma eventual defesa.
O delegado Erick Guedes, responsável pelas investigações, contou que a testemunha ocular confirmou que a arma foi implantada pelos agentes municipais.
“Uma das testemunhas ocular da cena do crime afirmou que o Caio não estava com a faca e que ela foi colocada no local pelos guardas municipais”,
disse o delegado à reportagem
O delegado aguarda laudos periciais para concluir o inquérito. Segundo ele, um agente será indiciado por homicídio culposo e fraude processual e o outro guarda deverá responder por fraude processual.
Defesa dos guardas
Durante a chegada dos GM’s, ambos preferiram permanecer em silêncio. Rodrigo Cunha, advogado que defende os agentes concedeu entrevista à imprensa e afirmou que os guardas foram orientados em ficar calados, além de afirmar que os agentes não receberam treinamento para utilizar as câmeras.
“A orientação foi clara de permanecer em silêncio até que tenhamos noção de tudo que esta sendo investigado, todas as peças, todos os laudos e todos os depoimentos. Acreditamos que sim que houve legítima defesa. Há muitas denúncias que não são confirmadas. Inclusive que os guardas não receberam qualquer tipo de treinamento”,
conta o advogado dos guardas
Guardas afastados
Em nota enviada à Banda B, a Prefeitura de Curitiba informou que foi instaurado um procedimento administrativo para apurar a conduta dos guardas. “Até que a investigação seja concluída, conforme regulamento interno, os envolvidos seguem afastados das atividades operacionais”, diz trecho da nota.
Câmaras desligadas
A Guarda Municipal (GM) admitiu que as câmeras acopladas às fardas dos agentes envolvidos na morte de Caio José Ferreira de Souza Lemes, estavam ligadas, porém, não foram acionadas. A afirmação ocorreu três dias após a corporação, por meio da Prefeitura de Curitiba, divulgar que os equipamentos estavam desligados.
O comandante da Guarda Municipal de Curitiba, Carlos Celso Santos Junior, confirmou que os agentes possuíam câmeras nos uniformes, mas erraram ao não acioná-la e também ao não comunicarem a ocorrência ao Centro de Controle e Operações Muralha Digital (CCOMD), o qual tem autonomia para ligar o equipamento caso o guarda não consiga.


