A morte do adolescente Caio José Ferreira de Souza Lemes, 17 anos, não vai passar despercebida e os responsáveis serão cobrados. Essa foi a mensagem que centenas de pessoas passaram num protesto feito na manhã desta terça-feira (28) no local onde o rapaz foi morto por uma equipe da Guarda Municipal de Curitiba (GM). 

Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

Entre inúmeros amigos e colegas de turma, estava também Lilian Ferreira da Silva. Mesmo com a dor de saber que o filho lhe foi retirado, a mãe do adolescente fez questão de falar sobre quem era o menino.

“Caio José era o menino mais doce desse mundo, não é porque era meu filho. Ele estudava, da escola ia para o trabalho, tinha um monte de sonho. Morreu”. 

contou Lilian Ferreira da Silva, mãe de Caio

A morte de Caio ocorreu na tarde de sábado (25), na Rua Herondina de Freitas Ribeiro, entre os bairros Campo Comprido e Cidade Industrial de Curitiba (CIC). No local do crime, os guardas municipais disseram que ele estava armado com uma faca, reagiu e foi baleado.

Revoltada com essa explicação para a morte do filho, Lilian disse que quer somente respostas. Mas respostas verdadeiras.

“Essa abordagem foi completamente despreparada, infeliz e absurda. Abordaram meu filho, bateram no meu filho e deram um tiro na cabeça do meu filho. Quero entender como é esse treinamento. Nada vai trazer meu filho de volta, mas quero respostas sinceras, não quero mentira, não quero que subestimem minha inteligência”. 

desabafou a mãe de Caio, Lilian Ferreira da Silva

A manifestação, mobilizada por amigos, familiares e colegas de escola do rapaz, ocorreu no mesmo local onde no sábado ele acabou morto. A mãe disse que chegar ali foi dificílimo.

“Foi terrível, porque eu já tinha visto vídeo do meu filho deitado na poça de sangue ali. Agora chegar no local e ver só a marca do sangue do meu filho e saber que nunca mais vou olhar o rosto dele, nunca mais vou ver ele”. 

disse Lilian Ferreira da Silva, mãe de Caio

Nesta segunda-feira, após a denúncia de amigos e familiares sobre o crime, a GM de Curitiba decidiu afastar os agentes envolvidos na abordagem. Em nota enviada à Banda B, a corporação afirmou que foi instaurado um procedimento administrativo para apurar a conduta dos guardas.

Inocência

Além de amigos e colegas de turma, o protesto também foi acompanhado por pais dos amigos de Caio. Reginaldo de Almeida, era um deles. O pai de um amigo do adolescente disse não acreditar no que aconteceu.

“Saber da inocência dele machuca muito a gente. É muito fácil para aqueles que não conhecem, para aqueles que julgam sem conhecer. Na hora que acontecer com a família deles, eles vão rever”. 

disse Reginaldo de Almeida, pai de um amigo de Caio

Reginaldo disse ter o maior respeito às forças de segurança, mas deixou claro a dúvida sobre a versão dada pelos guardas municipais no local do crime, o que ele considerou como inaceitável. 

“Eu tenho o maior respeito pelas forças, mas pelas costas é inaceitável. Tem que ter Justiça. Vai ficar só a memória do Caio, o sorriso dele, a lembrança boa do que ele deixou para a gente. Sempre vi ele sorrindo, sempre conversando e com a inocência dele”. 

desabafou Reginaldo de Almeida, pai de um amigo de Caio

Sobre o autor do tiro que tirou a vida do estudante do ensino médio, que trabalhava como menor aprendiz em uma empresa de telemarketing, o homem julgou que não terá mais paz.

“Irresponsável, sem pensar. Acredito que essa pessoa não vai ter mais paz na vida, porque tirou a vida de um menino inocente”. 

concluiu o pai de um amigo de Caio

Busca por Justiça

Caio cursava o 3º ano do ensino médio no Colégio Estadual Júlia Wanderley, no Batel. Lays Nunes, colega de turma do rapaz, disse que a sensação é de impunidade. 

“Estamos vivendo um pesadelo. Conheço ele desde os meus 13 anos de idade, a gente era praticamente irmão. Muito difícil. Ele era uma pessoa incrível, muito sorridente, muito feliz, sempre trazia humor para a nossa vida. Ele sempre falava que amava a gente, tinha um jeito meio desengonçado, era engraçado, vai fazer muita falta. Vou guardar a imagem dele sorrindo, cantando as músicas que ele cantava, sempre muito feliz”. 

contou Lays Nunes, colega de turma do rapaz

A busca por Justiça para que a morte de Caio não acabe esquecida vai ter como protagonistas os colegas e amigos da escola. Isso porque o menino era muito querido por todos e todos têm plena convicção de que ele era inocente. Ninguém acredita na versão da GM.

“Não acreditamos. Caio não era bandido, não era essa pessoa que tacharam ele. Quem conhece sabe, ele era uma pessoa incrível, nunca faria isso. Nós queremos Justiça e vamos atrás para honrar o nome dele”. 

disse Lays Nunes, colega de turma de Caio