Um estudo internacional publicado na revista científica The Lancet analisou cerca de 1,9 milhão de próteses de quadril e confirmou que o procedimento pode ter durabilidade superior a 30 anos. A pesquisa reforça a segurança da artroplastia total do quadril, cirurgia indicada para tratar dores e limitações causadas por problemas como artrose, displasia, traumas e osteonecrose.

Os dados foram obtidos a partir de registros globais de pacientes submetidos ao implante moderno e mostram taxas de sobrevivência acima de 92% após três décadas. O resultado se manteve consistente independentemente do tipo de material utilizado, incluindo superfícies de cerâmica e polietileno de alta tecnologia.
Avanços aumentaram a durabilidade
Segundo os pesquisadores, a evolução dos materiais e das técnicas cirúrgicas nas últimas décadas tornou o procedimento mais seguro, previsível e com resultados duradouros.
Para o ortopedista especialista em cirurgia do quadril, Thiago Fuchs, os dados ajudam a derrubar um mito comum entre pacientes: o de que a prótese dura apenas cerca de 10 anos.
“A cirurgia evoluiu muito. Hoje, quando bem indicada, ela pode devolver qualidade de vida, mobilidade e independência ao paciente por décadas, muitas vezes de forma definitiva”
explica o médico.
Medo faz pacientes adiarem cirurgia
De acordo com o especialista, ainda é comum que pacientes com indicação cirúrgica tentem prolongar tratamentos sem sucesso por receio da durabilidade da prótese.
“Muitas pessoas convivem por anos com dor e limitações, insistindo em alternativas que já não funcionam. Esse atraso pode prejudicar não só a qualidade de vida, mas também a recuperação”, alerta.
Menos necessidade de novas cirurgias
Outro ponto destacado pelo estudo é a redução significativa nas cirurgias de revisão — procedimento necessário quando a prótese apresenta falhas ou desgaste.
Com os avanços tecnológicos, os implantes atuais apresentam maior resistência, o que diminui a necessidade de novas intervenções ao longo da vida.
“Hoje conseguimos oferecer resultados muito duradouros. Em muitos casos, o paciente volta a ter uma vida ativa, sem dor e sem limitações importantes”
completa o ortopedista.
Decisão no tempo certo faz diferença
Com base nas evidências, especialistas destacam que adiar a cirurgia, quando há recomendação médica, pode prolongar um sofrimento desnecessário.
Mais do que uma decisão técnica, o momento da intervenção deve ser avaliado como parte de uma estratégia de cuidado, priorizando qualidade de vida, autonomia e bem-estar a longo prazo.
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