A lei que autoriza a instalação de farmácias dentro de supermercados, já em vigor no Brasil, trouxe mais comodidade para o consumidor — mas também reacendeu o alerta sobre o uso inadequado de medicamentos. Especialistas reforçam que, apesar da mudança, a venda continua cercada de regras e exige atenção redobrada da população.

Homem analisa embalagem de medicamento dentro de farmácia instalada em supermercado, segurando uma cesta de compras.
Lei permite farmácias dentro de supermercados, mas venda de medicamentos segue com regras rígidas e exige orientação profissional. Foto ilustrativa: Freepik.

A nova legislação permite que supermercados tenham farmácias completas dentro de seus espaços, desde que funcionem de forma independente e sigam todas as exigências sanitárias. Ou seja, não haverá remédios em gôndolas comuns ou misturados a produtos de consumo.

O que muda e o que continua igual

Na prática, o consumidor poderá encontrar farmácias dentro de mercados, o que facilita o acesso no dia a dia. Esses espaços podem ser operados pelo próprio estabelecimento ou por empresas parceiras, desde que devidamente licenciadas.

Por outro lado, continuam proibidos:

  • Venda de medicamentos em prateleiras comuns
  • Comercialização sem controle sanitário
  • Exposição em áreas abertas, sem separação

A exigência de estrutura própria também permanece, com controle de temperatura, armazenamento adequado e rastreabilidade dos produtos.

Automedicação preocupa

Mesmo com as regras, especialistas da área da saúde alertam para um risco crescente: a banalização do uso de medicamentos.

Segundo o farmacêutico clínico Felipe Lukacievicz Barbosa, a maior facilidade de acesso pode levar ao uso incorreto, com doses inadequadas, combinações perigosas e até atraso no diagnóstico de doenças.

“O medicamento não é um produto comum. Sem orientação, pode mascarar sintomas e agravar problemas de saúde”

explica o profissional.

Grupos como idosos, crianças e pessoas que já fazem uso contínuo de remédios estão entre os mais vulneráveis.

Papel do farmacêutico será decisivo

A nova lei mantém a obrigatoriedade da presença de um farmacêutico durante todo o funcionamento da farmácia — ponto considerado essencial pelos especialistas.

Mais do que estar presente, o profissional deve atuar de forma ativa, orientando o paciente, avaliando possíveis interações medicamentosas e esclarecendo dúvidas.

Para o professor de Direito Gabriel Schulman, o impacto da nova regra dependerá justamente desse papel.

“O desafio é garantir que o farmacêutico atue como agente de cuidado, e não apenas como alguém que entrega o medicamento”

afirma Schulmam.

Mais acesso, mas com responsabilidade

A mudança amplia a conveniência para o consumidor, que poderá resolver mais de uma demanda no mesmo local. No entanto, a legislação mantém o foco na segurança, sem flexibilizar as exigências sanitárias.

Na prática, o recado dos especialistas é claro: o acesso ficou mais fácil, mas o uso de medicamentos continua exigindo responsabilidade e orientação profissional.

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