O uso medicinal do canabidiol (CBD) em tratamento de doenças tem ganhado espaço no Brasil nos últimos anos e, com isso, também aumentaram as dúvidas da população sobre como a substância funciona, para quem é indicada e quais são os riscos.

Mulher utiliza conta-gotas para aplicar óleo de canabidiol (CBD) diretamente na boca, em imagem ilustrativa sobre tratamento com cannabis medicinal.
Tratamento com canabidiol deve ser feito com prescrição e acompanhamento médico. Foto ilustrativa: Divulgação.

O CBD é um dos mais de 400 compostos químicos presentes na planta Cannabis sativa e faz parte do grupo dos canabinoides. Diferentemente do tetrahidrocanabinol (THC), ele não tem efeito psicoativo, ou seja, não provoca euforia ou alteração da consciência.

Como o canabidiol atua no organismo

Segundo o médico clínico geral Adam Alborta, o canabidiol atua no chamado sistema endocanabinoide do organismo, responsável por regular funções como sono, humor, dor e resposta inflamatória. Esse sistema ajuda a manter o equilíbrio do corpo, conhecido como homeostase.

Entre as principais indicações do CBD estão epilepsia refratária, ansiedade, dores crônicas — como a fibromialgia —, distúrbios do sono e transtornos do espectro autista.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que não há evidências de que o canabidiol provoque dependência ou potencial de abuso.

“O CBD é diferente do THC. Quando utilizado de maneira adequada, não provoca ‘barato’, mas pode auxiliar no tratamento de doenças e transtornos, como ocorre com outros medicamentos”

explica Alborta.

No Brasil, o debate sobre o tema ganhou força com a regulamentação que estabelece regras para produção e comercialização de produtos à base de cannabis para fins medicinais. Mesmo assim, o acesso ao tratamento ainda depende de prescrição médica e do cumprimento das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O especialista alerta que pacientes devem evitar produtos artesanais ou sem controle de qualidade.

“O uso do CBD deve sempre ser individualizado e acompanhado por um médico. Cada caso é único e, assim como outros medicamentos, ele precisa ser utilizado de maneira correta”

afirma o médico.

A seguir, o médico responde algumas das dúvidas mais comuns sobre o uso do canabidiol.

Dúvidas sobre tratamento com canabidiol

CBD causa dependência?

Não. De acordo com o especialista, o canabidiol não ativa os mecanismos cerebrais ligados à dependência química. Pesquisas inclusive investigam o potencial do composto para ajudar no controle da ansiedade e do desejo por substâncias em pessoas com dependência.

O canabidiol causa “barato” ou altera a consciência?

Não. O CBD não tem efeito psicoativo e não provoca euforia ou desorientação. Esses efeitos estão associados ao THC, outro composto da cannabis, quando presente em altas concentrações.

O CBD pode substituir outros medicamentos?

Nem sempre. Em muitos casos, ele é utilizado como terapia complementar. Dependendo da resposta do paciente, o médico pode avaliar ajustes em outros remédios ao longo do tratamento.

Quanto tempo leva para fazer efeito?

O tempo varia conforme a condição tratada, a dose prescrita, a forma de uso e as características de cada paciente. Algumas pessoas percebem efeitos em poucos dias, enquanto outras precisam de semanas para notar resultados.

É possível usar CBD junto com outros remédios?

Em muitos casos, sim. Porém, pode haver interação com medicamentos metabolizados pelo fígado. Por isso, é essencial informar ao médico todos os remédios que o paciente já utiliza.

O canabidiol serve para qualquer pessoa?

Não. Apesar do potencial terapêutico, o CBD não é indicado para todos os quadros clínicos. A avaliação médica é fundamental para determinar se o tratamento é seguro e adequado.

Quanto custa o tratamento com CBD?

O valor varia bastante e depende do produto utilizado, da concentração, da dose necessária e da duração do tratamento. Não existe um preço padrão.

Quais são os efeitos colaterais?

Em geral, o canabidiol é bem tolerado. Alguns pacientes podem apresentar sonolência, boca seca, alterações gastrointestinais ou fadiga, geralmente de forma leve e temporária.

Quem usa CBD pode dirigir ou trabalhar normalmente?

Na maioria dos casos, sim. Como o composto não altera a consciência, o paciente costuma conseguir manter suas atividades diárias. Ainda assim, recomenda-se observar a reação do organismo no início do tratamento.

Médicos podem vender CBD?

Não. O papel do médico é avaliar o paciente e prescrever o tratamento. A venda ou intermediação da compra não faz parte da atividade médica.

Como comprar CBD no Brasil?

O acesso ocorre por meio de prescrição médica. Após a consulta, o paciente pode adquirir o produto em farmácias autorizadas ou por importação, seguindo as regras da Anvisa.

Existe uma dose padrão de canabidiol?

Não. A dose é definida de forma individualizada e pode ser ajustada ao longo do tratamento, de acordo com a resposta do organismo e a tolerância do paciente.

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