O luto prolongado passou a ser considerado um transtorno mental na nova versão do manual de diagnósticos de transtorno mentais da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e também na Classificação Internacional de Doenças, elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A equipe de reportagem da Banda B ouviu um especialista que explica o que é normal sentir nesse período, como ajudar uma pessoa em luto e os sinais de alerta para buscar ajuda médica.

Cerca de 4 mil brasileiros morrem todos os dias, número que chega a quase 1,5 milhão por ano no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O esperado é a pessoa consiga lidar com o sentimento de luto de forma natural, ou seja, sem a necessidade de uso de medicamentos, mas com o apoio de amigos e familiares.
Como ajudar pessoas em luto
O psiquiatra Marcelo Heyde, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, explica quais são as melhores formas de ajudar as pessoas que passam por esse processo.
“É importante que o meio social saiba acolher essa pessoa. Geralmente as pessoas querem ajudar, perguntar o que aconteceu e dar conselhos, mas isso feito de forma excessiva atrapalha na evolução do luto. O ideal é mostrar apreço pelos sentimentos e deixar a porta aberta para a pessoa buscar suporte, chamar para sair, oferecer visitas e mudar o foco da perda. Repetir a mesma história e escutar conselhos repetitivos geralmente é muito desagradável”.
O especialista também ressalta que na maior parte das vezes o luto é um processo normal e que não precisa de nenhuma intervenção profissional. Já em casos de sofrimento intenso, as psicoterapias ajudam bastante na elaboração do luto.
“Consideramos o luto patológico quando a recuperação não acontece mesmo em um período de mais de 12 meses. Situações de perda também podem servir de gatilho para depressão e outros transtornos mentais, o que exige busca de um médico em poucas semanas. Nesse caso o principal sinal é o impacto funcional que a perda causa na pessoa, na vida social, trabalho ou na vida acadêmica. Em um luto, apesar da tristeza profunda, as pessoas devem conseguir manter boa funcionalidade”.
Entre os sintomas comuns e esperados nesse período, estão:
- Tristeza intensa, inclusive com crises de choro;
- Sensação de vazio;
- Sentir-se atônito (aéreo, com as funções cognitivas prejudicadas);
- Alterações de sono e apetite, para mais ou para menos;
- Queda de energia no dia a dia;
- Mecanismo de negação (demora para ‘cair a ficha’).
O que acontece com o cérebro em situações de luto
O psiquiatra explica que o cérebro reage quimicamente em situações de luto e que existem mudanças nos neurotransmissores que causam mudanças importantes na forma em que o paciente se sente.
“É possível observar uma alteração nos centros da memória (amígdala e hipocampo) junto com uma desregulação do lobo frontal e dos circuitos dos neurotransmissores do grupo das monoaminas (serotonina, dopamina e noradrenalina). Isso causa memórias intrusivas, juntos com os sentimentos negativos do luto, principalmente a anedonia (perda da capacidade de sentir prazer) e a redução da energia. Além disso, o cortisol fica elevado, atrapalhando o sono e o apetite, principalmente”.
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