Cerca de 4 mil brasileiros morrem todos os dias, número que chega a quase 1,5 milhão por ano no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Perder um ente querido gera diversas emoções e alterações neurobiológicas no cérebro, que caracterizam o período de luto. 

Mulher de luto, segurando uma flor branca, em cemitério representa os sentimentos apresentados após o luto.
Especialista explica o que acontece com o cérebro nas situações de luto. (Foto: Freepik)

Pesquisadores da Dinamarca afirmam que as pessoas que sofreram um luto intenso têm maior possibilidade de morrer em 10 anos, sendo que as que apresentaram mais sintomas do período tinham chances 88% maiores de morrer do que os que estavam na trajetória baixa de sinais. 

O psicólogo dos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, Pedro Rujano, explica que o luto vai além de uma experiência emocional e envolve um processo neurobiológico profundo no cérebro. 

“A perda rompe um padrão de previsibilidade relacional. O cérebro, que estava organizado em torno daquele vínculo, precisa se reorganizar. A pessoa não está mais fisicamente acessível, embora permaneça simbolicamente presente. A forma como o cérebro responde depende da natureza da perda”. 

O especialista explica que durante o período de luto é esperado tristeza intensa e oscilante, saudade com dor física no peito, sentimentos de culpa, raiva e sensação de irrealidade. 

“Acontece também uma busca automática pela pessoa que se foi, sonhos vívidos, alterações no apetite e sono, e redução temporária da capacidade produtiva. O luto não é linear, é oscilatório. Há dias funcionais e dias profundamente dolorosos. O sofrimento não é patológico em si, ele se torna patológico quando perde completamente o horizonte de sentido”. 

Quando buscar auxílio profissional devido ao luto 

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais descreve o Transtorno do Luto Prolongado, em adultos, quando há sofrimento persistente e prejuízo significativo mesmo após 12 meses. 

A ajuda de médicos psiquiatras e psicólogos deve ser buscada em situações nas quais há sofrimento intenso e persistente, que não apresenta nenhuma oscilação mesmo após meses, além de incapacidade funcional grave. 

“A pessoa que não consegue mais trabalhar e cuidar de si; tem ideação suicida ou desejo recorrente de morrer para reencontrar a pessoa; faz uso abusivo de substâncias psicoativas; tem isolamento social progressivo e sintomas depressivos e de traumas persistentes precisa de ajuda especializada”.
– explica Rujano. 

É possível evitar a dor? 

Não é possível eliminar a dor do luto, mas exigem estratégias de enfrentamento que ajudam a reduzir os impactos. Pedro Rujano traz dicas valiosas. 

1 – Respeite seu ritmo e entenda que seu cérebro está fisicamente exausto

2 –  Descanse e evite cobrança por produtividades

3 – Crie rituais de despedidas, mesmo que tardios, eles ajudam a integrar a realidade da perda

4 – Busque compartilhar a dor com quem vive situações similares e que validem seus sentimentos, como grupos de apoio e pessoas de confiança. 

5 – Busque profissionais especializados em saúde mental para auxiliar a transformar a dor e reconfigurar os vínculos afetivos de forma saudável.

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