O Tribunal do Júri de Curitiba condenou, nesta sexta-feira (2), os sete integrantes de um grupo skinhead por agressões contra duas pessoas na Praça Osório. Todos vão responder pelos crimes de racismo e associação criminosa, mas três deles ainda foram condenados por lesão corporal gravíssima. A oitava ré teve o julgamento adiado após liminar da Justiça.

Os sete foram condenados pelo júri (Foto: Marcelo Borges – Banda B)

Sentados na cadeira do júri, os sete começaram a ser julgados na manhã desta quinta-feira (1) pelas agressões contra Renan Lopes Lúcio e Willian Cezar Martins Cardoso. Na ocasião, as vítimas foram vítimas de crime de ódio pelo grupo. As vítimas, uma negra e outra homossexual, não se conheciam até então e as agressões aconteceram com duas horas de diferença entre elas. Na época, vários cartazes com menções à ideologia nazista e de preconceito a judeus, homossexuais e negros foram colados na região central de Curitiba.

Os réus foram condenados a penas que variam entre 1 ano e 6 meses e 8 anos e 6 meses de reclusão. O que pegou a maior pena foi condenado por todos os crimes e cumprirá a pena em regime inicial fechado. Os dois que receberam a menor pena (com regime inicial aberto) foram considerados culpados pelo crime de associação criminosa armada. Outras duas pessoas foram condenadas por associação criminosa armada e racismo e discriminação, com pena 2 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial aberto. O sexto réu recebeu pena de 6 anos, 6 meses e 7 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por associação criminosa e lesão corporal gravíssima e o último, com pena de 7 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado, por lesão corporal gravíssima, associação criminosa armada e racismo e discriminação,

Para a vítima do crime, Willian Cezar, a pena é baixa, mas pelo menos foi possível dar uma resposta à sociedade. “A resposta foi dada. São penas baixas, mas poderia ser pior, já que eles poderiam ser absolvidos. Agora vamos aguardar, que ainda temos mais um júri”, disse.

O advogado do Grupo Dignidade, Marcel Jeronymo, disse que o júri comprovou que o grupo era armado e tinha inspiração nazista e tinha atitudes que não podem mais ser admitidas. “O julgamento é uma resposta de que não podemos mais tolerar atitudes preconceituosas, sejam de qualquer forma: machismo, racismo ou homofobia”, comentou.

O júri foi longo e há possibilidade de alguns crimes estarem prescritos, então todos os sete seguem em liberdade até a análise dos recursos.

Crime

Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Renan Lopes Lúcio foi vítima das agressões por volta das 5h15 de 18 de setembro de 2005. Duas horas depois, o grupo atacou Willian Cezar Martins Cardoso.

Hoje com 33 anos, Willian é a única das duas vítimas que ainda está viva, mas sofre com as consequências das agressões. Entre elas, estão problemas para falar e o uso de medicamentos controlados por anos.

À Banda B, ele contou que saía de uma balada LGBT quando foi cercado pelo grupo.