Começa nesta quinta-feira (4), o júri popular do ex-policial penal Jorge Guaranho, que matou o tesoureiro do PT Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu, durante a festa de aniversário de 50 anos da vítima há dois anos. A sessão tem início às 8h30 no Tribunal do Júri da cidade localizada no oeste do Paraná.

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À esquerda, o guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, morto em julho de 2022 após ser baleado no aniversário de 50 anos, em Foz do Iguaçu. À direita, o policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho, autor dos disparos contra Marcelo – Fotos: Arquivo pessoal/Reprodução

O Ministério Público do Paraná (MP/PR) denunciou Guaranho pelo crime de homicídio duplamente qualificado. O caso aconteceu no dia 9 de julho de 2022, ano das últimas eleições presidenciais, e, de acordo com o MP, foi motivado por divergências políticas.

Foram apontadas como qualificadoras do crime o motivo fútil (discussão motivada por divergências políticas) e o perigo comum (pelo fato de o acusado haver atirado contra a vítima em local com outras pessoas, colocando-as em risco).

A assistência de acusação afirma que o parecer de 61 páginas, que foi obtido pela Banda B, deverá ser utilizado no julgamento para “garantir que o réu seja condenado por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil e perigo comum”, uma vez que o crime foi cometido durante a festa de aniversário de Marcelo Arruda.

Daniel Godoy Junior, advogado da família de Arruda que compõe a assistência de acusação, comentou a expectativa para o júri. Ele afirmou que espera justiça diante do “farto conjunto probatório, testemunhal e de laudos periciais, que confirmam o homicídio duplamente qualificado”.

O que a assistência de acusação espera é que seja feita justiça nesse caso, que varreu o país com a indignação social. Há um farto conjunto probatório, testemunhal e de laudos periciais, que confirma o homicídio duplamente qualificado: pelo motivo fútil, associado à violência política, e também pelo perigo comum.

Além de matar a vítima, o réu colocou outras pessoas em risco e o resultado da conduta poderia ter sido uma tragédia ainda maior. O que esperamos é uma sentença de caráter sancionador e também pedagógico, porque a sociedade brasileira não pode admitir que a intolerância e o ódio persistam instigando a conflagração social.”

Daniel Godoy Junior, advogado da família de Arruda que compõe a assistência de acusação.

A Banda B procurou o advogado Samir Matar Assad, que realiza a defesa de Guaranho, para obter um posicionamento sobre o júri. Incialmente, os representantes jurídicos do ex-policial penal, réu neste júri popular em Foz do Iguaçu, afirmam que o crime ocorreu por uma “discussão de [nível] quinta série”.

A Defesa buscará demonstrar a verdade dos fatos de maneira integral, comprovando que, ao contrário do alegado, não há motivação política no evento e que conforme os vídeos e testemunhas do processo o réu não invadiu a festa atirando, agindo em defesa própria ante a iminência de agressão pela vítima que empunhava arma e não atendeu aos pleitos de baixar sua pistola.

Buscaremos a absolvição plena de Jorge Guaranho, que foi vítima da situação ocasionada pelo descontrole da vítima que o agrediu violentamente após troca de ofensas verbais atingindo sua esposa e filho recém nascido que estavam no veículo.

Samir Mattar Assad, advogado de Jorge Guaranho.

Relembre o caso envolvendo Jorge Guaranho e Marcelo Arruda

O policial penal Jorge José da Rocha Guaranho invadiu a festa de aniversário do guarda municipal e militante petista Marcelo Arruda, matando o tesoureiro a tiros, em Foz do Iguaçu. Segundo os relatos à polícia na época, Guaranho passou de carro em frente ao salão de festas dizendo “Aqui é Bolsonaro” e “Lula ladrão”, além de proferir xingamentos.

Ele saiu após uma rápida discussão e disse que retornaria. Ao retornar, o policial invadiu o salão de festas e atirou em Arruda. O petista, já ferido no chão, também baleou o ex-agente público. Uma câmera de segurança registrou o crime.

Velório de Marcelo Arruda em Foz do Iguaçu – Foto: Christian Rizzi /Fotoarena/Folhapress

Guaranho foi indiciado sob a suspeita de homicídio duplamente qualificado. Segundo a polícia, na tarde de sábado, dia do crime, o policial estava em um churrasco e lá ficou sabendo da festa temática do PT.

Diante disso, decidiu agir. Um outro convidado do churrasco era funcionário do clube no qual Marcelo havia alugado o salão de festas e, por isso, tinha acesso às câmeras de segurança.

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Júri popular de ex-policial penal que matou tesoureiro do PT começa nesta quinta em Foz do Iguaçu

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