Em janeiro, 19 internações involuntárias de pessoas em situação de rua, a maioria depois de atendimento em serviço de urgência, foram realizadas em Curitiba. Com muita responsabilidade, critérios técnicos e transparência, a Prefeitura está conduzindo o trabalho intersetorial de atenção a pessoas em situação de rua que necessitam de internação involuntária por colocar a própria vida em risco. 

Prefeitura de Curitiba divulgou balanço de internações involuntárias de pessoas em situação de rua em janeiro
Segundo a decisão da Prefeitura de Curitiba, os casos de internação involuntária são os mais extremos. Foto: Pedro Ribas/SECOM.

A primeira internação involuntária que teve como base a nova norma, no dia 9 de janeiro, foi conduzida por abordagem da equipe do Consultório na Rua, quando a médica do serviço entendeu que a mulher atendida colocava a própria vida em risco, precisava ser estabilizada e receber tratamento adequado em serviço de Saúde.

A ação dos órgãos da administração municipal é baseada na portaria conjunta nº 2, de 19 de dezembro de 2025, norma da Prefeitura de Curitiba que atualizou os critérios de atuação em situações críticas em que a internação involuntária pode ser acionada.

“Nosso trabalho é feito com muita seriedade, com transparência e critérios técnicos. Oito leis federais embasaram esse protocolo que foi atualizado pela Prefeitura de Curitiba, onde está incluída a internação involuntária. Lembrando que a internação é exceção, ela não é regra. Ela é feita somente em casos onde a pessoa estiver fora de controle e colocando a sua vida ou de outras pessoas em risco”

ressalta o prefeito Eduardo Pimentel.

Linha de cuidado

A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, detalha as ações desencadeadas pelas equipes de saúde para estabilizar e tratar as pessoas em situação de crise aguda e em vulnerabilidade, seja pelo uso de substâncias ou por transtornos mentais, e destaca a força do trabalho intersetorial.

“A Prefeitura montou um time técnico de todas as áreas para discutir e definir o cuidado desses pacientes. É uma câmara de governança que reúne todas as secretarias e a nova norma é fruto de amplo debate entre os técnicos da Prefeitura, que estão no dia a dia da política pública de atenção às pessoas em situação de rua”

explica Tatiane Filipak.
Curitiba fez 19 internações involuntárias de pessoas em situação de rua em janeiro
Primeira internação involuntária em Curitiba foi no dia 9 de janeiro, conduzida por abordagem da equipe do Consultório na Rua. Foto: Levy Ferreira/SECOM/Arquivo.

O principal objetivo desse trabalho intersetorial é a reinserção social dessa pessoa, em que ela tenha total capacidade de gerir a própria vida. Para isso, primeiro é necessário o trabalho da saúde, que intervém para retirar da crise aguda e oferece o tratamento multiprofissional em diversos pontos de atenção, dependendo da resposta de cada pessoa.

A Unidade de Estabilização Psiquiátrica (UEP) é o segundo ponto de atenção, depois do diagnóstico que determinou a internação, seja pelo Consultório na Rua, serviço de urgência, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou equipes dos Caps e das unidades de saúde.

O médico psiquiatra avalia o quadro de saúde e acompanha a evolução do paciente, que pode ser encaminhado para tratamento hospitalar, em leito de saúde mental ou em Centro de Atenção Psicossocial III (Caps), que possui leitos 24 horas. O tempo de tratamento em cada tipo de serviço depende da resposta do paciente.

“Durante uma internação psiquiátrica, um dos motivadores que a gente muitas vezes consegue sucesso em pessoas vulneráveis, em situação de rua ou com outras vulnerabilidades é a busca ativa de familiares. Quando possível, esse familiar passa a participar do plano terapêutico do paciente e isso ajuda muito no tratamento”, explica o médico psiquiatra Marlon Braga, diretor técnico da unidade psiquiátrica Úniica, hospital contratado pela prefeitura de Curitiba e que oferece mais de 100 leitos para internamento de saúde mental.

Braga explica que a jovem internada involuntariamente no dia 9 de janeiro está no hospital, passou pela desintoxicação inicial e está na fase de participação das psicoterapias e atividades em grupo dentro da própria instituição.

Durante todo o período de internamento, a paciente é constantemente reavaliada, onde se busca com um trabalho de psicoeducação, que ela entenda a sua condição e o que a levou a essa necessidade de uso de substâncias. Segundo o médico, a alta hospitalar se dá a partir do equilíbrio da situação de saúde, que é uma condição crônica, ou seja, não se fala sobre cura, mas sim de controle da situação, que precisa de acompanhamento constante.

CAPS atua nas internações involuntárias de pessoas em siutação de rua em Curitiba
Após ser internado, o paciente tem acompanhamento por equipe multidisciplinar, que envolve vários profissionais. Foto: Pedro Ribas/SECOM.

CAPS

A partir da alta hospitalar o paciente continuará sendo assistido pela Rede de Atenção Psicossocial da Prefeitura de Curitiba em um CAPS tipo três, com atendimento 24 horas e leitos, ou um CAPS tipo dois, com leitos de hospitalidade noturna.

Nas duas modalidades, o paciente tem acompanhamento por equipe multidisciplinar, que envolve médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, terapeuta ocupacional, musicoterapeutas, entre outros profissionais

Toda jornada do paciente é acompanhada pela equipe da Fundação de Ação Social que busca a aproximação familiar, quando possível, pode oferecer alternativas de moradia temporária, capacitação profissional, encaminhamento a emprego e renda, até sua total reinserção social.

“É possível atingir esse objetivo de reinserção social. Não é fácil, é um grande desafio, mas nós construímos uma linha de cuidado robusta, com pontos de atenção bem estabelecidos em que cada serviço vai cumprir com seu papel na jornada desse paciente”

detalha a secretária Tatiane Filipak.