A mãe da jovem Evellyn Brisola Perusso, Rosângela Machado, afirmou em depoimento prestado ao júri do Caso Daniel que a jovem tentou impedir a morte do jogador de futebol. Ela foi a segunda testemunha de defesa a falar no julgamento, que começou nesta segunda-feira (18), em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Antes dos depoimentos, a advogada Thayse Pozzobon afirmou que Evellyn foi coagida a limpar a cena do crime e que vai pedir a absolvição.

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Evellyn Brisola Perusso participa do júri (Foto: Ernani Ogata)

De acordo com a mãe, a jovem demorou três dias até ter coragem de contar o que havia acontecido.

“Ela tremia, chorava muito, disse que estava vivendo um pesadelo. Primeiro, ela me disse que não podia falar, e aí depois acabou me contando o que ela viu. (…) Vários falaram para ele [Edison Brittes] parar de bater, mas que estava alterado, com raiva. O maior medo da Evellyn era a ameaça de que quem saísse de lá, ele ia fazer a mesma coisa. O Edison deu ordem que todos que estavam na casa ajudassem a limpar tudo. Ele ameaçou”, disse a mãe.

Evellyn responde pelo crime de fraude processual. Em agosto de 2020, ela foi presa em flagrante com cerca de três quilos de maconha após abordagem da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone).

Segundo a mãe, a prisão aconteceu pelo desespero de tentar sustentar a filha.

“Ela tinha a menina, tinha os advogados para pagar, não conseguia emprego. Eu falei que as companhias não eram boas pra ela, que ela se afastasse, mas ela não se afastou. Depois disso, ela prometeu que não iria mais me decepcionar, mas ainda assim tinha medo de não conseguir emprego. Pagamos cursos e agora ela trabalha em um salão fazendo alongamento de unhas. Graças a Deus ela se arrependeu muito, viu que errou e mudou”, concluiu.

Pedido de absolvição

A defesa de Evellyn Brisola Perusso pede que ela seja absolvida. A advogada Thayse Pozzobon disse que busca mostrar aos jurados que ela foi coagida a limpar os vestígios de sangue na casa e ainda cozinhar para os envolvidos no crime.

“As testemunhas foram muito claras em informar que elas estavam sofrendo coação e até uma violência verbal pelo Edison Brittes, e é isso que nós queremos mostrar para os jurados, que ela foi coagida, foi mandada a limpar aquele vestígio de sangue. Vamos buscar, sim, a absolvição. As pessoas estavam com fome, e simplesmente falaram para ela preparar o almoço. Ela estava na casa dos pais da amiga dela, mandaram ela fazer o almoço, ela foi, mandaram limpar o sangue, ela limpou. O que esperam de uma mulher de 19 anos? Que ela falasse que iria chamar a polícia? Ela fez o que pediram a ela”, disse a defensora.

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Mãe afirma que Evellyn tentou impedir morte de Daniel; defesa quer absolvição e diz que ela foi coagida

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