Após cerca de seis horas do início, entrou para o primeiro intervalo o júri dos sete acusados pela morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos. Nesta primeira fase, os jurados estão ouvindo as testemunhas sigilosas, que seriam quatro no total. Seriam, porque duas já foram ouvidas e duas acabaram dispensadas. O julgamento, que começou nesta segunda-feira (18), ocorre no Fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), mesma cidade onde o crime aconteceu, em 2018.

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Foto: Antonio Nascimento – Banda B

O depoimento da primeira testemunha sigilosa durou aproximadamente 1h30. A pessoa, que é uma mulher, contou o que presenciou na noite em que tudo aconteceu, pois estava na casa. Entre o que foi dito, reforçou ter ouvido a frase sobre não cometer o crime dentro de casa, que teria sido dita por Cristiana Brittes. 

Já o depoimento da segunda testemunha sigilosa, também uma mulher, durou um pouco mais. As duas testemunhas ouvidas, segundo os advogados envolvidos no processo, corroboram com o que já se sabe sobre o crime.

“Foram excelentes as oitivas até esse momento. As testemunhas confirmaram uma frase muito importante, que faz um link da Cristiana com esse homicídio. Ela diz com todas as letras que a Cristiane disse ‘se for matar, não mate aqui’. Esse é o link que traz Cristiana para a cena dos fatos com relação ao homicídio, então as testemunhas sigilosas foram perfeitas e muito coerentes com o que já haviam dito, tanto na delegacia, como em juízo. Essa frase que Cristiana teria dito seria o start para o homicídio. Vou lutar até o fim, em nome da família, para a condenação”

disse Nilton Ribeiro, advogado da família do Daniel, assistente de acusação. 

No total, 25 testemunhas serão ouvidas ao longo dos dias de julgamento – uma delas por vídeoconferência. Elas dividem entre defesa e acusação. 

A defesa arrolou 29 testemunhas, mas até o meio da manhã, somente 20 destas testemunhas estavam presentes e uma foi recusada, resultando em 19 testemunhas de defesa. Já as testemunhas de acusação são cinco, quatro delas sigilosas. 

Após o depoimento das testemunhas sigilosas, havia a expectativa de que Lucas “Mineiro”, também da acusação, que estava na casa no dia do crime, fosse ouvido. Na retomada do julgamento, porém, o depoimento de Lucas também foi dispensado.

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Foto: Colaboração.

Escolha dos jurados

Quatro mulheres e três homens vão decidir se os sete réus são culpados. Os sete jurados foram escolhidos por meio de sorteio dentre 160 pessoas convocadas. São quatro mulheres jovens, um homem jovem, um homem de meia idade e um idoso.

O advogado Elias Mattar Assad, que representa Edison Brittes, avaliou a escolha do júri com equilíbrio. Ele também comentou que as duas testemunhas ouvidas não alteram em nada o cenário do julgamento. 

“Os jurados foram escolhidos por sorteio e penso que há uma boa distribuição etária ali no júri inclusive de gênero, temos quatro mulheres e três homens, acho que ficou equilibrado, a faixa de idade também é importante porque pegamos uma visão bem atual. Defesa é defesa, na hora a gente se inspira, a gente fala, é tudo uma empolgação na magia do tribunal do júri. Espero apenas que o resultado faça Justiça. Não altera em nada o quadro que já estava estabelecido no processo”

disse Elias Mattar Assad.

Concordando com o que foi dito pelos outros advogados, Rodrigo Faucz, advogado do Ygor King e do David Willian Vollero Silva, também comentou que o que espera é apenas um julgamento justo.

“Até agora as duas testemunhas ouvidas falaram praticamente a mesma coisa que tinham falado, creio que até pela questão de memória acabam se confundindo um pouco, mas tudo está correndo dentro do previsto. Só pretendo que eles sejam responsabilizados pelo que eles fizeram, só isso. Ninguém, em nenhuma situação, pode responder por aquilo que não fez. Só buscamos que os jurados possam fazer a análise individualizada, só isso”

disse o advogado Rodrigo Faucz.
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Evellyn Brisola Perusso também chegou em silêncio. Foto: Ernani Ogata.

Buscando absolvição

A busca da defesa de Evellyn Brisola Perusso é para que ela seja absolvida. Thayse Pozzobon, advogada que representa a jovem, disse que busca mostrar aos jurados que ela foi coagida a limpar os vestígios de sangue na casa e ainda cozinhar para os envolvidos no crime.

“As testemunhas foram muito claras em informar que elas estavam sofrendo coação e até uma violência verbal pelo Edison Brittes, e é isso que nós queremos mostrar para os jurados, que ela foi coagida, foi mandada a limpar aquele vestígio de sangue. Vamos buscar, sim, a absolvição. As pessoas estavam com fome, e simplesmente falaram para ela preparar o almoço. Ela estava na casa dos pais da amiga dela, mandaram ela fazer o almoço, ela foi, mandaram limpar o sangue, ela limpou. O que esperam de uma mulher de 19 anos? Que ela falasse que iria chamar a polícia? Ela fez o que pediram a ela”

comentou a advogada Thayse Pozzobon.

Como será o julgamento?

O juiz Thiago Flôres Carvalho é quem preside o julgamento. Após os procedimentos de rotina, como o sorteio dos jurados, são ouvidas as testemunhas da acusação, testemunhas da defesa e o interrogatório dos réus.

Depois dos depoimentos de todos, a acusação tem a palavra por um prazo máximo de 2h30, depois a defesa por mais 2h30. Após isso, caso o juiz considere necessário, a acusação pode retornar para réplica e a defesa para tréplica, com mais 2h cada.

Finalizados os debates, que são compostos pelas falas entre acusação e defesa, é feita a votação secreta pelos sete jurados. Conforme a decisão dos jurados, o juiz redige a sentença e elabora a dosimetria, que é a duração da pena.

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Primeiras testemunhas são ouvidas no júri do Caso Daniel e dizem o que viram: “Se for matar, não mate aqui”

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