Quatro mulheres e três homens vão decidir se os sete réus acusados pela morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, são culpados. O júri popular começou pouco antes das 9h da manhã, desta segunda-feira (18), no Fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

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Foto: Antonio Nascimento – Banda B

Os sete jurados foram escolhidos por meio de sorteio dentre 160 pessoas convocadas. São quatro mulheres jovens, um homem jovem, um homem de meia idade e um idoso.

Como será o julgamento?

O juiz Thiago Flôres Carvalho é quem preside o julgamento. Após os procedimentos de rotina, como o sorteio dos jurados, são ouvidas as testemunhas da acusação, testemunhas da defesa e o interrogatório dos réus.

No total, 25 testemunhas serão ouvidas ao longo dos dias de julgamento – uma delas por vídeoconferência. Estas testemunhas se dividem entre defesa e acusação. 

A defesa arrolou 29 testemunhas, mas até o meio da manhã, somente 20 destas testemunhas estavam presentes e uma foi recusada, resultando em 19 testemunhas de defesa. Já as testemunhas de acusação são cinco, quatro delas sigilosas. 

Depois das oitivas, a acusação tem a palavra por um prazo máximo de 2h30, depois a defesa por mais 2h30. Após isso, caso o juiz considere necessário, a acusação pode retornar para réplica e a defesa para tréplica, com mais 2h cada.

Finalizados os debates, que são compostos pelas falas entre acusação e defesa, é feita a votação secreta pelos sete jurados. Conforme a decisão dos jurados, o juiz redige a sentença e elabora a dosimetria, que é a duração da pena.

Réus

Dentre os sete acusados, dois estão presos. Edison Brittes Junior é réu confesso e responde por homicídio, qualificado pelo motivo torpe, pelo emprego de tortura ou cruel, e pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima, ocultação de cadáver e fraude processual. Eduardo Henrique da Silva responde pelos mesmos crimes. Ele chegou a ganhar o direito de responder ao processo em liberdade em 2019, mas voltou para a prisão em 2020 após participação em outro crime, um roubo ocorrido em Foz do Iguaçu.

Outros três réus respondem por homicídio qualificado, mas estão em liberdade: Ygor King, David Willian Vollero Silva e Cristiana Brittes. A última chegou a ter a acusação de homicídio negada em primeiro grau, decisão que foi revertida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).

Allana Brittes, jovem que completava aniversário e realizou a festa onde Daniel foi morto, responde por fraude processual e coação no curso do processo. Já Evellyn Brisola Perusso foi denunciada por fraude processual. Ela também chegou a ser presa novamente durante o processo, por tráfico de drogas.

Defesa e acusação

O advogado Nilton Ribeiro, que representa a família de Daniel, tem a certeza da condenação e afirma que as provas são robustas.

“Buscamos justiça por um jovem que foi prematuramente tirado do convívio, que foi prematuramente morto. A defesa vai tentar uma tese de jogar fumaça, mas as provas são robustas. A morte foi bárbara, cruel e principalmente foi uma morte covarde. Querem que a gente esqueça a covardia, esqueça toda a dor que Daniel sentiu”, disse Nilton Ribeiro, assistente de acusação.

O advogado Elias Mattar Assad, que defende a família Brittes, considerou que Edison apenas reagiu a uma ação feita por Daniel.

“Onde tem seres humanos tem problema. As pessoas agem, reagem e termina de forma trágica. O Edison não agiu, ele reagiu. A tese depende de como transcorrerem os debates. Nós temos esperança que o júri de São José dos Pinhais compreenda as reações humanas”, ponderou Mattar Assad.

O crime

Com passagens pelo São Paulo e Coritiba, Daniel Corrêa Freitas veio a Curitiba para participar da festa de aniversário de 18 anos da amiga Allana Brittes, filha de Edison Brittes Junior, em uma casa noturna de Curitiba, em 26 de outubro de 2018. Após a balada, o jogador aceitou o convite para esticar a comemoração na casa da Família Brittes, junto de outras dez pessoas, em São José dos Pinhais.

Segundo a Polícia Civil, o conflito com Edison teria sido motivado por fotos e áudios enviados por Daniel em um grupo de amigos no WhatsApp. Nas mensagens, o jogador se vangloriava por estar na cama deitado ao lado de Cristiana Brittes, esposa do dono da casa.

Conforme as investigados, após saber das mensagens, o empresário deu início ao espancamento de Daniel e teve a ajuda de outros convidados da festa. O jogador só sairia da casa dentro do porta-malas de um carro. Foram 11 quilômetros de distância até a plantação de pinus, na Colônia Mergulhão, região rural de SJP, onde o corpo foi encontrado por um morador na manhã de 27 de outubro de 2018.

Conforme os laudos da Polícia Científica, Daniel foi parcialmente decapitado e teve o pênis decepado.

A investigação afirma ainda que, dois dias depois do crime, Edison se encontrou com os outros seis envolvidos em um shopping para combinar a versão que seria dada à polícia. A história não convenceu e o empresário acabou confessando o assassinato e sendo preso na mesma semana.

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4 mulheres e 3 homens vão decidir se os sete réus pela morte do jogador Daniel são culpados

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