As primeiras horas de júri de Everton Vargas, réu acusado pela morte da youtuber Isabelly Cristine Domingos dos Santos, de 14 anos, foram marcadas por certa confusão em plenário, na manhã desta terça-feira (3). Segundo o advogado Cláudio Dalledone Jr, que representa Everton, a delegada Vanessa Alice, ouvida em depoimento, trouxe informações que não continham na investigação.

No depoimento, a delegada afirmou que o acusado desceu do veículo para realizar os disparos que acabaram atingindo Isabelly. Apesar disso, segundo a defesa de Everton, a afirmação é contrária à denúncia oferecida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que, inclusive, esteve no dia da reprodução simulada e acompanhou todo o trabalho pericial.
Segundo o que consta no que já se sabe sobre o crime, Everton teria atirado de dentro do carro, e não saído do veículo para efetuar os disparos. Como defende Claudio Dalledone Jr.
“Depoimento arrastado, né? O que nitidamente se percebe são conclusões precipitadas de uma investigação que só buscou dar uma satisfação às luzes da ribalta e tudo aquilo que fazia com que o caso tomasse a repercussão que teve. Um caso sério, um caso grave, que a delegada deu opiniões, mas opiniões, ela não analisou o exame de necropsia, ela não analisou o exame de local, ela não fez quesitos para a reprodução simulada. E todas as opiniões dela foram sendo desmontadas pela defesa, todas as opiniões dela”
disse Cláudio Dalledone Jr.
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Dalledone reforçou que Everton não saiu do carro para atirar. Segundo ele, nenhum perito disse essa informação antes.
“Ela afirmou que o perito disse a ela que os disparos foram de fora do carro. Nenhum perito falou isso, nenhuma perícia disse isso. E ele foi denunciado pelo promotor de justiça que estava na reprodução simulada, assim como eu, e ela, por disparos dentro do carro. Quer dizer, um depoimento que deixou muito mais dúvidas do que certeza, veio dar opiniões. E assim, lamentável, sabe?”
comentou Dalledone.
O advogado de Everton disse que o que aconteceu no depoimento da delegada só confunde a situação.
“Não foi aventado isso. Ninguém pediu pra fazer isso. A reprodução simulada dos fatos, ela atende a quesitos da autoridade policial. Ela não apresentou quesitos. E foram apresentadas duas versões. De posicionamento dos veículos. Isso nunca foi aventado. E as imagens, essas imagens não foram mandadas para a perícia, isso é lamentável. Isso é lamentável. Elas não foram mandadas à perícia”
defende o advogado do réu.
Nas imagens que registraram o crime, segundo Dalledone, a olho nu, sem a perícia, é possível ver os disparos.
“Você enxerga os lingotes de fogo, saindo da janela [do carro]. Quer dizer, o depoimento da delegada deixou muito mais dúvidas do que certeza. E não é algo assim, não foi uma investigação séria. Foi ali opinião, foram opiniões para embalar a repercussão desse caso trágico da época. E isso ficou consignado. Veja, a reprodução simulada dos fatos veio somente em 2022 pros altos porque a defesa pediu. Não é uma investigação, é uma opinião e não tem nada de sério nas conclusões”
concluiu Cláudio Dalledone Jr.
Acusação rebate
Sobre a informação trazida pela delegada e comentada por Dalledone, a advogada Thaise Mattar Assad, que atua na assistência de acusação, disse que isso é notícia velha. Ela não deu importância a isso.
“Para nós não importa se o acusado estava dentro, estava fora, estava em cima do carro. Ele atirou, ele matou. Não interessa onde ele estava. Então, se a doutora Vanessa Alice chegou numa conclusão técnica de acordo com a experiência dela, de acordo com o que o perito apurou e avaliou naquela oportunidade, é uma opinião técnica a ser respeitada de uma das melhores investigadoras delegadas do Paraná”
comentou a advogada Thaise Mattar Assad.
Advogada disse que vê a discussão com naturalidade e que o réu vai ter a oportunidade de se defender.
“O jurado não precisa aqui ser questionado nesse ponto. Olha, ele estava fora, ele estava dentro, a polícia diz uma coisa, o Ministério Público diz outra. Não, na verdade a acusação aqui entende que independente de onde ele estava, o resultado não aconteceu? Aconteceu. Então nós estamos aqui para falar de uma menina que levou um tiro na cabeça com 14 anos. Não interessa onde o réu estava, interessa que ele atirou e ele matou”
explicou Thaise.
Júri da morte da youtuber
O julgamento da morte da youtuber Isabelly deve durar pelo menos dois dias. A primeira pessoa a ser ouvida foi a delegada Vanessa Alice.
Após o retorno do almoço, às 14h, o depoimento da delegada continua, pois foi suspenso para o almoço. Ao todo, são 10 testemunhas que devem ser ouvidas, além do interrogatório do acusado.
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