A defesa de Martônio Alves Batista, 55 anos, acusado de matar a menina Giovanna dos Reis Costa, em abril de 2006, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, diz que prisão foi ilegal e vai pedir a revogação.

Martônio Alves Batista e Giovanna dos Reis Costa
Com a reabertura do inquérito, provas coletadas ainda no início das investigações contribuíram para que a polícia chegasse a Martônio. Foto: Reprodução/ Ric RECORD)

“Pelo lapso temporal, 20 anos depois, o Martonio vem contribuindo com a Justiça, vem participando das audiências dos outros processos. A gente entende que há uma ilegalidade na prisão. Analisando o inquérito, existem várias lacunas, várias questões de nulidades processuais”, disse o advogado Eduardo Caldeira, em entrevista à Ric RECORD.

De acordo com a delegada Camila Cecconello, Martônio já possuía antecedentes por crimes de cunho sexual, como violência e importunação sexual. Há ainda relatos de ex-companheiras de que filhos e filhas delas teriam sido vítimas de abusos. Nem todos os casos, no entanto, chegaram a ser formalizados.

Em 2018, ele foi preso em flagrante após uma funcionária encontrar um celular escondido, com a câmera ligada, dentro do banheiro feminino da pastelaria onde ele era proprietário. A mulher usava o local para se trocar quando percebeu o aparelho na saboneteira.

Denúncia de enteada foi decisiva

A reviravolta no caso Giovanna ocorreu após o relato de uma enteada do suspeito. Segundo a delegada, a jovem contou ter sofrido abusos sexuais dos 9 aos 12 anos de idade e afirmou que era constantemente ameaçada.

De acordo com o depoimento, Martônio dizia que havia matado uma menina por asfixia e que faria o mesmo caso ela revelasse os abusos. Anos depois, ao ver a notícia da prisão dele em 2018, a jovem decidiu procurar ajuda e formalizar a denúncia.

Crime que chocou o Paraná

Segundo a Polícia Civil, Giovanna dos Reis foi assassinada após oferecer ao suspeito uma rifa de Páscoa. Ele teria atraído a menina para dentro da residência sob o pretexto de buscar dinheiro. Antes do homicídio, o homem teria cometido violência sexual contra a vítima.

À época, a investigação apontou que quatro ciganos teriam participado do crime, supostamente motivado por um “ritual”. Mãe e filho chegaram a permanecer presos por seis anos. No entanto, em 2011, o Tribunal do Júri absolveu todos os acusados.

Com a reabertura do inquérito, em 2025, provas coletadas ainda no início das investigações contribuíram para que a equipe policial chegasse a Martônio. Ele foi preso em casa, em Londrina, no norte do Paraná, a cerca de 400 quilômetros do local do crime.

Ao ser detido, o suspeito optou por permanecer em silêncio. Ele foi encaminhado ao sistema prisional e segue à disposição da Justiça.