Pessoas que tiveram Covid-19 e se recuperaram precisam manter hábitos de higiene e isolamento social, principalmente pelo fato de especialistas ainda não conhecerem como o novo coronavírus age no organismo a longo prazo.

As medidas de prevenção também servem para evitar a contaminação de gente próxima ao paciente que se recuperou.

O infectologista Paulo Olzon, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirmou que ainda há dúvidas com relação às pessoas já contaminadas pela Covid-19 voltarem a contrair o vírus. “Casos como sarampo e caxumba, por exemplo, promovem uma ação de anticorpos, que serve como um protetor pelo resto da vida. Já sobre o coronavírus, ainda não podemos afirmar isso”, explicou.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Olzon reforçou que casos moderados e graves da Covid-19, encaminhados à unidades de saúde, devem ser monitorados após a alta do paciente, por tempo indeterminado, pelo fato de o novo coronavírus ainda ser uma incógnita para especialistas e sociedade. “Digo que pacientes graves precisam ser acompanhados, no mínimo, um ano para se entender como o corpo reage após a contaminação [pelo vírus]”, explicou.

O infectologista José David Urbaez, que trabalha no Hospital Regional da Asa Norte, referência em tratamento à vítimas da Covid-19 no Distrito Federal, afirmou que o mais importante após o paciente se recuperar é verificar se ocorreram sequelas pulmonares, cardíacas e renais. “Este é um campo que ainda está sendo desvendado”, admitiu.

Apesar disso, ele afirmou que repouso, retornos ao médico para avaliações periódicas, além de um programa de fisioterapia e nutrição, são cuidados fundamentais para pacientes que precisaram ser internados por causa do novo coronavírus e sobreviveram.

A fisioterapia e nutrição, diz Urbaez, são para que pessoas recém-saídas de UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) recuperem massa muscular. “Os pacientes nestas condições têm acometimento muscular, ficam atróficos, inclusive com dificuldade para respirar.”

Os dois especialistas também reforçam que manter hábitos de higiene, além de evitar sair na rua, são atitudes imprescindíveis para que o vírus não se propague e a medicina tenha tempo de compreender como o novo coronavírus, de fato, age no organismo.