Casos de trauma que podem ocasionar uma hemorragia são a minoria das situações que necessitam de uma transfusão de sangue, conforme o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar). Muitas vezes, pacientes com câncer e portadores de algumas doenças genéticas que afetam o sistema sanguíneo também podem precisar de sangue ou dos seus derivados para reduzir as complicações e melhorar a qualidade de vida. 

Atualmente, a rede estadual de saúde atende, em Curitiba, 96 pacientes que precisam de transfusões constantes, sendo 71 da Capital, sete de Cascavel, sete de Londrina, seis de Maringá, quatro de Ponta Grossa e um de Apucarana.

Leice Vieira, de 43 anos e Ana Beatriz Saturnino, de 19 anos, são portadoras de doenças que exigem a transfusão de sangue frequente
Ana Beatriz Saturnino, de 19 anos e Leice Vieira, de 43 anos, pacientes do Hemepar. (Foto: Freepik)

Conheça a história das pacientes do Hemepar 

Leice Vieira, de 43 anos, é portadora de talassemia e teve o diagnóstico durante a infância. Ela é moradora de Guaratuba, no Litoral do Paraná, e recebe a transfusão de sangue na capital a cada três semanas. 

“É uma doença hereditária, meus pais tinham traço e conforme a junção genética desses traços eu vim com a doença, no nível maior, que exige tratamento. Quando nasci, eu era muito pálida, muito quieta, não chorava. Minha mãe achou que tinha alguma coisa errada e me levou ao médico. Depois dos exames descobriram a doença. Com 8 meses, iniciei o tratamento frequente”.

O tratamento contínuo é essencial para a qualidade de vida da paciente e faz a diferença no bem-estar na rotina. 

“No Paraná, não tem o que reclamar. Eles dão bastante suporte”.

A estudante de Pedagogia Ana Beatriz Saturnino, de 19 anos, é portadora de anemia falciforme e teve o diagnóstico da doença por meio de uma triagem neonatal, conhecida como Teste do Pezinho. 

“As transfusões sempre foram recorrentes na minha vida. A primeira de que me lembro foi quando eu tinha sete anos, quando precisei fazer uma cirurgia para a retirada das amígdalas. Realizar a transfusão sempre me ajudou a ter uma qualidade de vida muito boa”.

A talassemia e a anemia falciforme são doenças genéticas que afetam a molécula de hemoglobina presente nos glóbulos vermelhos. A hemoglobina é a proteína responsável por se ligar ao oxigênio e transportá-lo pelo corpo. O termo utilizado para doenças que afetam essa proteína é “hemoglobinopatia”. Embora ambas sejam classificadas como hemoglobinopatias, elas diferem quanto ao tipo de alteração genética e ao seu comportamento no organismo.

A talassemia causa anemia crônica devido a defeitos na produção de glóbulos vermelhos, o que exige transfusões regulares e controle de ferro. A anemia falciforme pode se manifestar de formas diferentes em cada indivíduo. Algumas pessoas apresentam apenas sintomas leves, enquanto outras podem desenvolver sinais mais intensos. Os sintomas geralmente começam a aparecer na segunda metade do primeiro ano de vida da criança.

Ana ressaltou a necessidade da doação de sangue para auxiliar a manter a qualidade de vida dos pacientes afetados por essas doenças. 

“Vocês não têm noção do quão importante é uma doação de sangue para quem precisa. Nós conseguimos ter uma qualidade de vida muito melhor com a doação de vocês. Então, por favor, doem sangue, porque a gente precisa”.

Transfusão de sangue 

A médica hematologista, Janine Reinaldinho, que trabalha há nove anos no ambulatório do Hemepar, explica como funciona o atendimento aos pacientes com coagulopatias e hemoglobinopatias. 

“Os pacientes são pré-agendados, sabemos os dias que eles virão. Então realizamos a reserva das bolsas, chamando os doadores fenotipados para fazer a coleta prévia”.

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, reforça a importância da doação de sangue para os pacientes e para os familiares. 

“Quando falamos em doação de sangue, estamos pensando também nessas pessoas que precisam com frequência fazer a transfusão para ter qualidade de vida e o Paraná tem realizado investimentos na área da saúde e no fortalecimento dos atendimentos, garantindo assistência e qualidade de vida aos pacientes”. 

Quem pode doar sangue 

O Hemepar é responsável pela coleta, armazenamento, processamento, transfusão e distribuição de sangue para hospitais públicos, privados e filantrópicos que atuam em todas as regiões do Paraná. 

Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas, já que cada componente pode ser utilizado por um paciente diferente. Isso reforça a importância da participação da população na doação. O sangue doado é essencial para garantir o atendimento a pacientes em situações de urgência, cirurgias, tratamentos oncológicos e demais procedimentos que dependem de transfusão.

Para doar, é necessário ter entre 16 e 69 anos completos. Menores de idade precisam de autorização e da presença do responsável legal. Homens podem doar a cada dois meses, até quatro vezes ao ano. Mulheres podem doar a cada três meses, totalizando até três doações anuais.O doador pode fazer agendamento prévio, precisa pesar no mínimo 50 quilos, estar descansado, alimentado e hidratado (evitando alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação) e apresentar documento oficial com foto, como carteira de identidade, carteira de conselho profissional, carteira de trabalho, passaporte ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

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