O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou que teve acesso ao conteúdo proveniente da quebra de sigilo do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, quando foi relator do inquérito que investiga as fraudes da instituição financeira. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (6), por meio do gabinete do ministro.

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Ministro deixou relatoria da investigação do Banco Master em fevereiro. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

As quebras de sigilo, de acordo com a declaração, teriam sido recebidas pelo STF após o ministro André Mendonça assumir o processo no dia 12 de fevereiro.

Toffoli frisou, ainda, que autorizou os pedidos cautelares feitos pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) enquanto era relator. Segundo o comunicado, não houve comprometimento do inquérito.

A declaração é uma resposta às críticas de que houve prejuízo à apuração dos fatos no período em que Toffoli conduziu as investigações.

O ministro deixou a relatoria no início de fevereiro, após a PF informar a Edson Fachin, presidente do STF, que há menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular de Vorcaro. A apreensão do aparelho aconteceu na primeira fase da Operação Compliance Zero, iniciada em 2025.

Toffoli é um dos sócios do resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Norte do Paraná. A aquisição da empresa aconteceu por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master e investigado pela PF.

Julgamento sobre prisão de Vorcaro

Ainda não há confirmação se Toffoli participará do julgamento sobre a prisão de Vorcaro, determinada por decisão de Mendonça na última quarta-feira (4).

A Segunda Turma do Supremo será responsável pelo julgamento. Os ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça, além do próprio Toffoli, compõem o grupo.

Esta é a segunda prisão de Vorcaro durante a Compliance Zero. O banqueiro já havia sido alvo de um mandado de prisão no ano passado, mas obteve direito à liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica.

A nova prisão acontece em virtude das mensagens encontradas no celular do empresário, nas quais Vorcaro ameaça jornalistas e pessoas contrárias aos seus interesses.

A Operação Compliance Zero investiga fraudes bilionárias no Banco Master, responsáveis por um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para o ressarcimento a investidores.