Com a liquidação do Banco Pleno, decretada nesta quarta (18), a chegou a oito o número de instituições financeiras fechadas pelo Banco Central (BC) na esteira do caso Banco Master, investigado por fraudes financeiras. Como os bancos e corretoras ofertavam produtos garantidos, como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), por exemplo, a conta para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) já atingiu R$ 51,8 bilhões. As informações são da Folha de S.Paulo.

A sede do Banco Pleno. Instituição foi liquidada pelo Banco Central e deixou mais um rombo para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC)
Banco Pleno foi mais recente liquidado pelo Banco Central e deixou mais um rombo para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – Foto: Reprodução/Redes sociais

Além do Pleno, foram liquidados pelo BC a corretora Pleno, o Will Bank, a CBSF (antiga Reag Investimentos), o Banco Master, o Banco Master de Investimento, a Master Corretora e o Letsbank.

Apenas no caso mais recente, a base estimada de clientes com CDBs é de 160 mil, totalizando um valor de R$ 4,9 bilhões a serem ressarcidos pelo FGC. Parte do prejuízo deve ser paga pelo patrimônio do dono do Pleno, Augusto Lima, que é estimado em R$ 1 bilhão.

O valor do rombo se soma aos R$ 40,6 bilhões do Banco Master e aos R$ 6,3 bilhões do Will Bank. Os débitos não contabilizam os empréstimos emergenciais feitos pelo FGC ao Master antes da liquidação, em novembro do ano passado, que não são detalhados pelo fundo.

A liquidação não é uma recuperação judicial e nem intervenção temporária, mas um encerramento de atividades que coloca o banco em processo de desmontagem. O Banco Pleno deixa de operar, seus administradores são destituídos e as operações passam a ser conduzidas por um liquidante indicado pelo BC, cuja função é vender ativos e pagar credores na ordem prevista em lei.

O que foi pago pelo FGC até o momento

O FGC informou que, até esta quarta-feira (19), foram ressarcidos R$ 37,2 bilhões a clientes do conglomerado Master, valor que representa 92% do total devido. “Em termos de números de beneficiários da garantia, aproximadamente 653 mil credores já receberam os valores, correspondente a 84% do total de credores”, afirmou o fundo em nota.

O dinheiro do fundo provém de contribuições mensais obrigatórias realizadas pelas próprias instituições financeiras associadas – bancos, caixas econômicas, sociedades de crédito, corretoras etc. Elas pagam uma taxa mensal sobre depósitos garantidos – que incluem poupança, CDBs, LCIs, LCAs.

Para recompor o rombo provocado pelo caso Banco Master ao caixa do FGC, os bancos irão adiantar contribuições dos próximos anos já no início de 2026. A discussão é por um adiantamento de cinco anos, o que equivaleria a R$ 30 bilhões.

Para contornar o problema, as instituições financeiras solicitam ao Banco Central a liberação de parte dos depósitos compulsórios, que é um valor que o setor bancário precisa manter, obrigatoriamente, na autoridade monetária.