Deputados estaduais de diferentes partidos se uniram na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para manifestar que repudiam a postura do vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo). A crítica se refere a gravação e publicação de um vídeo atacando o deputado Renato Freitas (PT) e criticando os atrasos para uma reunião do Conselho de Ética da Casa, nesta terça-feira (10).

Renato Freiras, um homem negro de cabelo crespo, terno cinza e gravata azul, falando em um microfone
Deputados repudiam vereador que publicou vídeo atacando Assembleia / Foto: reprodução Assembleia Legislativa do Paraná

Freitas está sendo processado por quebra do decoro parlamentar e tem um pedido de cassação de mantado. A última reunião do Conselho deveria avançar no caso, mas isso não aconteceu porque parte dos deputados se atrasaram e não teve quórum suficiente.

Kilter publicou nas redes sociais que o deputado é um “agressor” e “escapa do Conselho de Ética”. Além disso, insinuou que outros deputados teriam se atrasado para “blindar” o petista.

Durante a sessão na Assembleia Legislativa do Paraná, parlamentares repudiaram a atitude do vereador e defenderam medidas para evitar novos episódios semelhantes.

O destaque foi o posicionamento de Ricardo Arruda (PL), que tem histórico de confrontos políticos com Freitas e já encaminhou processos contra ele. Apesar das divergências, Arruda criticou a atitude de Kilter.

“Além de não trabalhar, fica aqui lacrando para ganhar curtida na internet. Isso é típico dessa turminha nova junto com o MBL, que só sabe fazer isso.”

Afirmou Arruda.

O deputado Renato Freitas relatou que foi alvo de várias provocações de Kilter no dia da reunião:

“Ele se jogou na minha frente e disse repetidas vezes: ‘me bata, me bata, me bata’ […] Ele não tem condição de ser vereador de uma capital tão importante como é Curitiba.”

Outros deputados também repudiam o vereador

Quem puxou os discursos em que os deputados repudiam vereador foi o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD). Ele classificou a atitude de Kilter como “política eleitoreira para fazer votos” e relatou que a deputada Márcia Huçulak (PSD) foi desrespeitada e agredida.

A deputada, por sua vez, afirmou ter se sentido exposta injustamente nas redes sociais do vereador:

“Ele tem colocado meu nome como se eu fosse omissa, negligente ou tivesse tomado uma posição diferente do que o regimento interno estabelece. Foi humilhante o que aconteceu ontem na comissão de ética e não vou aceitar isso nessa Casa.”

disse a deputada Márcia Huçulak

Já o deputado Denian Couto (PODE) prestou solidariedade à deputada Márcia Huçulak e alertou para a circulação de informações falsas na postagem.

“Se uma publicação diz que o parlamentar escapa do Conselho de Ética, isso dá a entender que esta Casa está fazendo vistas grossas aos processos que correm contra ele. Não pode virar um circo.”

Disse Couto.

O deputado Arilson Chiorato (PT) também criticou a situação e cobrou limites para esse tipo de comportamento na Assembleia. Os deputados Ademar Traiano (PSD) e Thiago Bührer (União) também repudiam ao episódio com o vereador.

Diante da repercussão, o presidente da Alep, Alexandre Curi, determinou que nas próximas reuniões do Conselho de Ética apenas deputados poderão entrar na sala. Segundo ele, outras providências também devem ser tomadas.

Kilter volta a atacar a Assembleia

No dia seguinte aos discursos em que os deputados repudiam as ações do vereador na Assembleia, Guilherme Kilter comentou o caso durante sessão plenária na Câmara Municipal de Curitiba.

Ele criticou a decisão da Alep de restringir o acesso às reuniões do Conselho de Ética, e questionou se imprensa e população geral também seriam barrados:

“Parabéns. Acabou a democracia na Assembleia Legislativa do Paraná. Virou uma ditadura.”

disse o vereador Guilherme Kilter.

Em seguida, satirizou a concordância dos deputados em repudiar as atitudes que tomou no dia anterior: “Nunca achei que eu fosse unir os deputados de ‘sabor’ direita com o deputado Renato Freitas”

Ele ainda afirmou que pretende comparecer novamente à próxima reunião do Conselho de Ética, alegando ser denunciante no caso envolvendo Renato Freitas. “Se vocês me barrarem, vou entrar na Justiça”, afirmou.

Segundo ele, o vídeo apenas mostrou a ausência ou atraso de deputados na reunião do Conselho de Ética. “Apenas constatei um fato: os deputados atrasaram ou faltaram à reunião e não deu quórum”, afirmou.

O vereador também reagiu às críticas de violência de gênero ao comentar a menção à deputada Márcia Huçulak. “Eu não xinguei ela, não critiquei ela. Falei que ela se atrasou”, declarou.

Veja o vídeo de Guilherme Kilter