Uma audiência pública realizada nesta terça-feira (10), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), debateu o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal. O encontro reuniu parlamentares, representantes de trabalhadores, centrais sindicais e especialistas para discutir os impactos do modelo atual na saúde, na qualidade de vida e na produtividade.

No evento, um coro tomou conta do plenário. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelsão da Força, puxou a pergunta: “Queremos o fim da escala 6×1 para quando?”. A resposta veio logo do público: “Já!”.
A audiência foi promovida pela Bancada de Oposição na Alep, formada por deputados do PT e do PDT. O objetivo foi ampliar o debate sobre condições de trabalho e possíveis caminhos para a revisão da jornada. Quem abriu o encontro foi o líder da Bancada de Oposição na Assembleia, deputado estadual Arilson Chiorato (PT). Para ele, a discussão vai além de uma questão econômica.
“Fim do 6×1 é pauta de dignidade. É pauta de essência de vida. De vida além do trabalho”, afirmou.
Descanso para a saúde
Durante a audiência, representantes de sindicatos e especialistas destacaram os efeitos da jornada extensa na saúde física e mental dos trabalhadores. O procurador do Ministério Público do Trabalho, Fabrício Gonçalves de Oliveira, afirmou que a discussão sobre a jornada precisa ser vista também como uma questão de saúde pública.
“O óbvio precisa ser dito: jornada é uma questão de saúde. Um trabalhador mais cansado está mais suscetível a doenças e problemas de saúde mental”, disse.
Segundo ele, críticas de que a redução da jornada poderia prejudicar a economia já apareceram em outros momentos da história. “Disseram a mesma coisa quando foi criado o décimo terceiro salário. Diziam que ia quebrar a economia”, afirmou.
Vida além do trabalho
Outro ponto levantado durante o encontro foi o impacto da escala 6×1 na vida familiar e no tempo livre dos trabalhadores. O professor de Direito do Trabalho da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sidnei Machado, destacou que muitos dos trabalhadores mais afetados pelo modelo sequer conseguem participar de debates como o da audiência.
“Não é sobre horas trabalhadas. É sobre tempo de vida. Tempo para descansar, estudar e participar da vida política” avaliou
A presidente da APP-Sindicato, professora Walkiria Olegário Mazeto, também destacou a importância de garantir mais tempo para a vida pessoal: “A nossa vida deve ser a razão do nosso trabalho, e não o inverso”, afirmou.
Durante a audiência, também foram apresentados relatos sobre o impacto da escala na vida das famílias. O deputado Renato Freitas (PT) contou que a própria mãe trabalhava no modelo 6×1 e tinha pouco tempo para acompanhá-lo quando ele era criança. Já o Movimento Vida Além do Trabalho apresentou depoimentos de trabalhadores que defendem o fim da escala 6×1. Entre os motivos citados estão ter mais tempo para dormir, estudar, sair com amigos ou passar mais tempo com os filhos.
Gênero e economia
O debate também trouxe a questão da desigualdade de gênero. Representantes de entidades sindicais destacaram que as mulheres são uma das principais vítimas da jornada extensa, por acumularem trabalho remunerado e tarefas domésticas. A secretária de Mulheres do PT, Marilda Ribeiro, por exemplo, afirmou que o modelo acaba limitando oportunidades.
“Mulheres são impedidas de estudar e participar da vida política porque estão muito mais sobrecarregadas pela jornada de trabalho extensiva”, disse.
Entre os participantes também houve defesa de que a redução da jornada não prejudica a produtividade. Entre eles, estava o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos e diretor da Força Sindical, Jamil Dávila. Ele disse que experiências com jornadas menores mostram que trabalhadores descansados produzem mais.
O que diz o G7 Paraná
Em contrapartida, o G7 Paraná – grupo das sete maiores entidades empresariais do Estado do Paraná – tem um ponto de vista contrário à diminuição da jornada. A entidade publicou um manifesto com os principais argumentos contrários que eles encontraram.
Na avaliação das entidades, reduzir a jornada sem enfrentar outros problemas brasileiros pode elevar o custo por hora produzida, com efeitos negativos no faturamento das empresas, nos empregos formais e na massa salarial.
Eles também apontam problemas como o aumento dos preços de produtos e serviços, pressão inflacionária, aceleração da automação, crescimento da informalidade, precarização das relações de trabalho e expansão da pejotização.
📲 Não perca nenhuma notícia! Siga o Instagram da Banda B e receba as atualizações direto no seu feed. Clique aqui!