A Assembleia Legislativa aprovou na tarde desta terça-feira (10) um projeto que fez alterações na lei que permitiu a privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). As mudanças foram enviadas aos deputados pelo Governo do Paraná com o objetivo de destravar a venda da estatal, que está suspensa por uma decisão liminar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Deputados no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná. Na sessão desta terça-feira (10), foram votadas alterações na lei que autoriza a privatização da Celepar
Como a base do governo na Assembleia é grande, placar da votação foi folgado: 37 a favor e sete contrários pelas alterações na lei de privatização da Celepar – Foto: Orlando Kissner/Assemblei Legislativa

O texto com as alterações foi enviado a Casa na última segunda-feira (2) e exigiu uma corrida contra o tempo para a votação ser finalizada ainda nesta semana. Em oito dias, foram convocadas duas reuniões extraordinárias da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e uma reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia foi realizada no plenário, junto com a sessão da segunda-feira (9).

A manobra, que é prevista no Regimento Interno, foi usada pois a reunião regular da comissão, prevista para o mesmo dia, foi encerrada por falta de quórum. A medida rendeu protestos da oposição na Assembleia, em especial do líder Arilson Chiorato (PT) e da deputada Ana Júlia (PT). Ambos tiveram suas emendas ao projeto negadas pelo relator Luiz Cláudio Romanelli (PSD).

Como a base do governo é a maioria da Assembleia, o placar da segunda votação do Projeto de Lei 163/2026 nesta terça foi folgado: 37 votos a favor e apenas sete contrários, com o registro de uma abstenção. Agora, a iniciativa segue para sanção do governador Ratinho Junior.

Durante a votação, a venda da Celepar foi defendida como uma medida de modernização da companhia pelo líder do Governo, deputado Hussein Bakri (PSD). Ele repetiu a comparação usada pelo governador para defender a privatização, comparando a situação com a dos Correios, estatal federal que vem de prejuízos seguidos e precisou de R$ 20 bilhões em empréstimos apenas para seguir operando.

Arilson Chiorato (PT), pela oposição, defendeu que a Celepar ser mantida como empresa pública é uma questão de soberania dos dados dos paranaenses. O deputado argumentou ainda que o valor de venda – R$ 1,3 bilhão – está baixo do real da companhia.

O que mudou no projeto de lei da privatização da Celapar

O Governo do Paraná promoveu alterações na lei principalmente para reforçar questões relativas à guarda dos chamados dados sensíveis, principalmente os relacionados a investigações policiais. A impossibilidade destes dados serem operados por empresas não públicas foi apontada na decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu a venda da Celepar.

Após a liminar, o governo suspendeu o leilão de venda da companhia, que estava marcado para o dia 17 de março, com preço mínimo de R$ 1,3 bilhão. A privatização seria realizada na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

O julgamento da decisão individual de Dino no STF pelos demais ministros começou no dia 6 de março, mas foi interrompido por um pedido de vista de Cristiano Zanin. Com esta ação, o magistrado pede mais tempo para analisar a questão antes de dar o seu voto. O prazo máximo para que ele se pronuncie é de 90 dias.

Além dos dados sensíveis e o respeito à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), o ministro Flávio Dino afirmou que o Governo do Paraná precisa elaborar um Relatório de Impacto à Proteção de Dados (RIPD) específico para a mudança de propriedade da Celepar. O documento precisa ser enviado para aprovação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).