O sonho da Laura Dzwielewski Menegaz, de 13 anos, é poder andar a cavalo sem sentir dor. E isso está prestes a acontecer, graças ao Departamento de Deformidades Pediátricas da Coluna Vertebral do Complexo Hospitalar do Trabalhador, implantado em abril de 2023, por meio da Secretaria da Saúde do Paraná.

Laura era portadora de escoliose e, em agosto de 2025, realizou a cirurgia de correção da coluna, o que lhe permitirá ter uma vida normal de agora em diante. Moradora de Bom Sucesso do Sul, região Oeste do Paraná, é acostumada a andar a cavalo, mas com o problema na coluna a prática estava longe de ser prazerosa.
Após o atendimento na unidade de saúde da cidade onde mora, foi encaminhada para o Serviço de Deformidades Pediátricas da Coluna Vertebral em Curitiba, fez as consultas iniciais e teve a indicação para a cirurgia. Agora, Laura aguarda a alta médica para poder cavalgar e realizar outras atividades sem sentir dores.
“Qualquer coisa que eu fazia, sentia dor. Tomava remédio e parecia que não fazia muito efeito. Quando fui fazer a cirurgia, disse que não queria. Hoje, eu me arrependo de ter falado, porque é uma conquista para mim, consegui ajeitar minha coluna. Estou muito realizada, fiquei até alguns centímetros mais alta e consigo fazer tudo o que eu queria”.

Cirurgias realizadas
De abril de 2023 até dezembro de 2025, foram realizadas 209 cirurgias no Departamento de Deformidades Pediátricas da Coluna Vertebral do CHT, que envolve o próprio Hospital do Trabalhador, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e o Hospital de Reabilitação.
A unidade atende pacientes de todos os cantos do Paraná e também de diversas regiões do Brasil. Foram tratados pacientes do Amazonas, Acre e Rondônia, por exemplo. Atualmente, 24 aguardam a cirurgia e a instituição realiza entre dois e três procedimentos por semana.
Para o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, a implantação do serviço e os investimentos realizados no Complexo Hospitalar do Trabalhador são fundamentais para dar mais qualidade de vida à população.
“Ao longo dos últimos anos temos feito muitas cirurgias e estamos acelerando, com o apoio de uma equipe médica de altíssimo nível. Estamos atendendo os paranaenses que precisam dessas cirurgias de deformidade da coluna, que são de alta complexidade, com respeito e carinho. É um trabalho de todos nós e, em especial, do Complexo Hospitalar do Trabalhador”.
O médico João Elias Ferreira Braga, integrante do grupo da Coluna do Hospital do Trabalhador e responsável pela área de Deformidades Pediátricas da Coluna Vertebral do CHT, falou da referência que esse serviço se tornou para o Estado e também para o Brasil.
“O projeto iniciado em 2023 aqui no CHT já atendeu um grande número de pacientes. Hoje, são poucos os locais de referência para atendimento desses pacientes e temos toda essa estrutura aqui no Paraná. Foram mais de 200 casos operados e centenas de pacientes tratados. Tratamento que vai desde os conservadores, como exercício e fisioterapia, até o uso de coletes gessados e de polipropileno e casos cirúrgicos”.

Diagnóstico
A escoliose pode ter diferentes causas, sendo classificada em idiopática (sem causa definida), sindrômica (associadas a síndromes genéticas), neuromuscular (decorrente de doenças como paralisia cerebral e atrofia muscular espinhal) e congênita (presente desde o nascimento). Em todos os casos, o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são fundamentais para determinar a melhor abordagem terapêutica.
O médico João Elias explica que a escoliose é um termo usado para quando você olha a coluna e percebe uma curvatura. Pode acontecer por várias causas, desde uma escoliose congênita, quando o bebê nasce com uma vértebra mal formada e essa vértebra vai levando ao desenvolvimento de uma deformidade na coluna; a neuromuscular, causadas por doenças neurológicas ou musculares, como uma paralisia cerebral, até as idiopáticas, causadas por alterações genéticas e que podem se desenvolver apenas na adolescência.
O médico destaca, ainda, que os pais devem ficar atentos às costas dos filhos, em especial nas meninas, que teêm mais predileção para a doença mais grave.
Segundo ele, o verão é o período em que mais se diagnostica a doença. Por causa do uso de roupas mais leves, é mais fácil notar a alteração na coluna. Caso seja percebida alguma alteração, uma avaliação ortopédica deve ser marcada.
“O diagnóstico precoce é importante. Quando a gente percebe que a coluna está iniciando uma curvatura é possível controlar essa curva. Fazer o procedimento com uma curvatura menor permite melhores resultados na cirurgia”.