O julgamento de Roberto Soriano, um dos acusados pela morte da agente Melissa de Almeida Araújo, da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, entra em seu terceiro dia nesta quarta-feira (15). Ele seria o mandante do crime.

Por se tratar de crime contra a vida de servidor público federal no exercício de suas funções, a competência para julgamento é do Tribunal do Júri da Justiça Federal.

Júri de homicídio de psicóloga em Cascavel acontece nesta segunda com testemunho de Marcola

Presidido pelo juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, a sessão acontece na Sede da Justiça Federal do Paraná, no bairro Cabral.

Três dos réus já foram condenados e um absolvido pelo assassinato da psicóloga na cidade de Cascavel, em maio de 2017. O julgamento teve início no fim de janeiro. No segundo dia, foi determinado o desmembramento do processo em relação ao acusado Roberto Soriano. Isso porque a banca de advogados que atuava em sua defesa abandonou o plenário durante o julgamento, após vários adiamentos das sessões.

Soriano é apontado pelo Ministério Público do estado de São Paulo (MPSP) como o número 2 na hierarquia do Primeiro Comando da Capital (PCC), depois de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Em nota, a defesa de Soriano afirmou que o Ministério Público Federal (MPF) “não trouxe uma prova sequer” contra o seu cliente. Leia a nota na íntegra abaixo:

“Desde a leitura dos autos a defesa acredita na inocência de Roberto Soriano. Não há nas mais de um milhão de páginas de processo criminal, e menos ainda nos mais de cinquenta testemunhos até aqui ouvidos a sustentação para a hipótese acusatória. Estamos no terceiro dia de julgamento e até agora o Ministério Público Federal não trouxe uma prova sequer que pudesse apontar Soriano como mandante do crime.”

Relembre o caso

Melissa foi brutalmente assassinada por ser agente na Penitenciária Federal de Catanduvas. Segundo as investigações, o crime foi motivado em represália à atuação regular no controle da disciplina interna nas unidades do sistema carcerário federal.

Os condenados foram acusados de agir no interesse da maior facção criminosa que atua em todo território nacional, motivados pelo propósito de vingança a funcionários e autoridades do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) e pela ideia de intimidação de toda a categoria de agentes penitenciários federais.

Melissa foi morta em frente ao condomínio onde morava, na cidade de Cascavel, residência distante 55 km de Catanduvas. A psicóloga teve sua rotina monitorada por pelo menos 40 dias e foi considerada um alvo de “fácil alcance”, de acordo com as investigações.

Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.
Foto: Arquivo/Secretaria Nacional de Políticas Penais.

O marido, que é policial civil e estava junto no momento do crime, chegou a trocar tiros com os criminosos e ficou ferido. O filho do casal estava junto e nada sofreu.

Condenações

Durante os seis dias de julgamento, de 30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2023, foram ouvidas a vítima sobrevivente, o policial civil marido de Melissa e mais nove testemunhas de acusação, entre elas o delegado da Polícia Federal, Marco Smith, responsável pela investigação do caso, além de uma testemunha de defesa e duas testemunhas do juízo. Ao todo, 13 pessoas foram ouvidas.

Foram condenados Elnatan Chagas de Carvalho (66 anos, 3 meses e 20 dias), Wellington Freitas da Rocha (55 anos, 5 meses e 15 dias) e Edy Carlos Cazarim (17 anos, 5 meses e 10 dias). Andressa Silva dos Santos foi absolvida.

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Caso Melissa: julgamento de último acusado de matar psicóloga penitenciária entra no 3º dia

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