A ausência do pai ou da mãe durante a infância ganhou novo peso no Brasil após uma lei de outubro de 2025 entrar em vigor e reforçar a possibilidade de indenização por abandono afetivo. A medida permite que filhos busquem reparação por danos morais quando houver ausência de convivência e participação na infância.

Foto mostra criança segurando urso
Para que haja condenação, a Justiça exige a comprovação de três elementos essenciais. Foto: Ilustração/Freepik

A nova interpretação jurídica destaca que o dever parental vai além do suporte financeiro. A presença, o cuidado e o acompanhamento do desenvolvimento dos filhos são considerados obrigações legais.

De acordo com o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o abandono afetivo não se limita à falta de vínculo emocional. Ele ocorre principalmente quando há omissão no dever de cuidado, assistência e convivência.

A Corte firmou a tese de que “amar é faculdade, cuidar é dever”, reforçando que as responsabilidades parentais incluem a participação ativa na vida da criança, o acompanhamento do desenvolvimento emocional e a convivência familiar regular.

Esse entendimento tem base na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Civil, que garantem o direito à convivência familiar.

Quando filhos de pais ausentes têm direito à indenização

A indenização por pais ausentes não é automática. Para que haja condenação, a Justiça exige a comprovação de três elementos essenciais:

  • Conduta omissiva do pai ou da mãe;
  • Dano psicológico sofrido pelo filho;
  • Nexo causal entre a ausência e o prejuízo emocional.

Na prática, isso significa que é necessário apresentar provas concretas, como laudos psicológicos, testemunhos e registros que demonstrem a ausência ao longo do tempo.

Valores das indenizações por abandono afetivo

As decisões judiciais têm variado conforme a gravidade dos casos envolvendo pais ausentes. Tribunais estaduais já registraram indenizações que podem ultrapassar R$ 200 mil em situações mais graves. Geralmente, os valores ficam entre R$ 30 mil e R$ 50 mil em casos moderados.

Cada processo é analisado individualmente, considerando as circunstâncias e as provas apresentadas.

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