O idoso Alcides Hahn, de 71 anos, empresário de Corupá, em Santa Catarina, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após fazer um Pix de R$ 500 para custear o transporte de um grupo de manifestantes que saiu de Blumenau no dia 5 de janeiro com destino ao Distrito Federal. A decisão prevê que Alcides cumpra 14 anos de prisão em regime fechado por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Foto de idoso empresário que foi condenado após fazer Pix de R$ 500
O empresário relatou que teve diversas contas bancárias bloqueadas. Foto: Reprodução/ NDTV RECORD.

O ônibus levava 41 pessoas, sendo que ao menos uma delas participou diretamente da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, ocorrida três dias depois.

A condenação inclui crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. O prejuízo causado pelos ataques ultrapassa R$ 20 milhões, segundo estimativas oficiais.

Idoso empresário, condenado por fazer Pix de R$ 500, diz que não sabia destino do dinheiro

Em mensagens enviadas ao repórter Márcio Falcão, da NDTV RECORD, o empresário afirmou que não tinha conhecimento sobre a finalidade do valor transferido. “Não sabia para quê, um amigo pediu para minha esposa. Seria para uma viagem de uma pessoa”, declarou.

Alcides também justificou que o pedido teria sido feito em tom de urgência, o que motivou a ajuda. “Como foi um pedido meio dramático, a minha esposa fez da conta CEF, onde sou titular”, relatou, acrescentando que a mesma conta acabou sendo bloqueada posteriormente.

Ainda segundo Hahn, a decisão foi influenciada por empatia. “Sou muito emotivo para estes casos, já imagino que é um pai de família com problema de saúde, com filho ou um parente próximo”, afirmou.

Contas bloqueadas e impacto pessoal

Nas mensagens, o idoso empresário relatou que teve diversas contas bancárias bloqueadas após a condenação, incluindo recursos de aposentadoria. Segundo ele, instituições financeiras adotaram medidas restritivas, o que dificultou o acesso a recursos e serviços bancários.

Viagem ao exterior e defesa

Hahn também comentou que estava em deslocamento internacional no momento em que respondeu as mensagens, mas negou qualquer tentativa de fuga. “Neste momento estou embarcando para a Argentina, mas não estou fugindo da minha responsabilidade”, afirmou. “Estou indo a trabalho”, completou.

Conforme a defesa ao portal ND Mais, a acusação se apoia unicamente em um comprovante apresentado pelo proprietário da empresa de turismo. Além disso, durante uma das audiências, o empresário do setor afirmou não conhecer Alcides e não ter mantido contato.

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