A Prefeitura de Guaratuba decretou, nesta terça-feira (11), novo estado de calamidade pública após os recorrentes problemas observados no ferry boat que faz a travessia para Matinhos, no litoral do Paraná. Essa é a segunda vez que um decreto com esse teor é baixado na cidade. Em julho do ano passado, um documento semelhante com prazo de 60 dias foi publicado depois que uma embarcação ficou à deriva.

Ferry Boat de Guaratuba
Foto: Governo do Paraná

O decreto, publicado no Diário Oficial do município nesta terça-feira, com validade de 30 dias, considera que a demora e as falhas no ferry boat impactam a rotina, não só dos turistas, mas de moradores, trabalhadores que se deslocam no litoral e de pacientes do Sistema Único de Saúde, que dependem do transporte para chegar ao Hospital Regional de Paranaguá, único que atende o litoral.

Além disso, o documento cita que as filas colocam em risco o trânsito na vias urbanas e estradas que levam ao local.

“Considerando que novas denúncias públicas têm sido diárias com episódios divulgados em mídias locais e estaduais, citados à guisa de exemplo: embarcação atracada no sentido inverso, de modo a obrigar a todos os veículos transportados por ela, seja de pequeno ou grande porte, a desembarcarem em marcha ré; embarcações carregadas de veículos, navegando à deriva ou paradas na baía por longo tempo, esperando sua vez, enquanto outras estão atracadas, embarcando ou desembarcando; e por duas vezes embarcação sendo abastecida de combustível por caminhão-tanque”, diz o documento.

De acordo com o prefeito de Guaratuba, Roberto Justus, é evidente o colapso do serviço público de transporte aquaviário para travessia da Baía, agravado pela temporada de verão, o que traz prejuízo ambiental, patrimonial, à integridade física e até mesmo risco de morte aos usuários do ferry boat.

“Um amadorismo que nos assusta e nos preocupa, porque isso pode sim levar a algum acidente que possa gerar um dano ambiental, que possa gerar um prejuízo material e até para a saúde e vida dos usuários do serviço”, afirmou Justus.

Problemas recorrentes em Guaratuba

A BR Travessias assumiu a operação do ferry boat de Guaratuba em abril do ano passado. Desde então, os usuários reclamam de filas, demora e de problemas mecânicos nas embarcações. Somente nesta semana, foram dois episódios.

Na terça-feira passada, o ferry boat Piquiri atracou de ré, após quebrar o manete, para que os veículos e passageiros desembarcassem.

Ontem pela manhã, uma balsa ficou à deriva depois de apresentar falha mecânica no rebocador. O cabo do acelerador eletrônico de um dos motores do equipamento Sol de Verão quebrou e isto dificultou a atracagem da embarcação na margem Caiobá/Matinhos.

O que dizem os responsáveis

A Banda B entrou em contato com a BR Travessias, concessionária responsável pela operação, que disse que, por enquanto, não vai se manifestar sobre o decreto.

Procurado pela reportagem, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que fiscaliza o serviço, afirmou em nota que instaurou um processo contra a BR Travessias. O procedimento, diz a autarquia estadual, pode rescindir de forma unilateral o contrato com a empresa (leia a nota na íntegra abaixo).

“O Governo do Estado, por meio da Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, instaurou um Processo Administrativo de Apuração de Responsabilidade (PAAR) contra a empresa que opera o ferry-boat em Guaratuba, no litoral do Estado, por falhas na execução do trabalho. Tal medida pode levar à rescisão unilateral do contrato.

O Governo do Estado reforça que mantém ampla fiscalização da operação das balsas no litoral e que tem avançado, junto ao Ministério Público Estadual, nas tratativas para a construção da Ponte entre Guaratuba e Matinhos, projeto aguardado há décadas e que resolve o gargalo logístico da região.”

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