Diversas pessoas que já foram infectadas pela Covid-19 relataram que sentem sequelas da doença. Algumas ficam com dores de cabeça frequentes, outras com cansaço extremo e muitas perdem até a memória. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 80% dos pacientes apresentam alguma sequela mesmo depois de curados pela doença. No entanto, ainda não se tem conhecimento sobre se os sintomas são permanentes ou temporários.
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A OMS afirma que a cada 10 infectados, 1 sofre com problemas até 3 meses depois e 25% em até 4-5 semanas. Outros dados que chamam à atenção são da Universidade de Washington, que destaca que 3 em cada 10 pacientes tem sequelas da Covid-19 em até nove meses depois da alta. Um estudo feito pelo Journal of the American Medical Associacion (Jama) – baseado em pacientes com quadros leves – revelou que 30% das pessoas tiveram sequelas também depois de nove meses.
De acordo com a médica clínica geral e nefrologista e voluntária do Projeto Com.Vida, Luciana Moreira Alves, todo o paciente diagnosticado com Covid-19, seja quadro leve ou não, necessita realizar um check-up após a alta. De forma geral, a especialista salienta que o ideal é procurar um médico após quinze, no máximo trinta dias da alta, para avaliar a recuperação e a necessidade de manter algum acompanhamento.
A ideia do Com.Vida é cuidar de pacientes que estejam com sequelas de Covid-19 e não tem condições financeiras para bancar um atendimento de qualidade. Luciana é apenas uma das voluntárias e a atuação do Com.Vida passa por todo o Brasil. Quem quiser ser voluntário pode entrar no Instagram do projeto e se inscrever.
Segundo Luciana, no pós-Covid-19, muitas pessoas podem ter perda de olfato, paladar, queda de cabelo e até sintomas de depressão. A médica ressalta que dificuldades de raciocínio e cognição também são comuns, o que atrapalha a vida profissional e social.
“Mesmo pessoas com quadros leves podem ter sequelas da Covid-19”, diz
Recuperados no Brasil

De acordo com Luciana, a Covid-19 é uma doença relativamente nova e é difícil estabelecer uma duração para as sequelas da doença na população. Segundo ela, cada pessoa tem um tempo diferente para recuperação e a grande maioria dos estudos pós-covid tem duração de no máximo nove meses. As avaliações de cada paciente são individualizadas já que dependem da existência de comorbidades no paciente e qual órgão foi o mais afetado.
“O que a gente sabe é que tem pessoas que mantém sequelas mesmo nove meses depois”, destaca
Atualmente, o Brasil conta com 527 mil mortos pela Covid-19, 18,9 milhões de casos pela doença e outros 16,7 mil recuperados. Luciana ressalta que as sequelas diminuem de intensidade ao longo do tempo na maioria dos pacientes, contudo, muitas perguntas ainda não foram respondidas pela ciência. “A gente não sabe se alguém vai ficar com sequela permanente”, diz.
Assintomáticos podem ter sequelas?

A médica ressalta que é possível que pacientes assintomáticos tenham sequelas pela Covid-19, mas isso não é regra na maioria dos casos da doença. Normalmente, sequelas como cefaleia ou cansaço são as que predominam entre pessoas que pegaram o coronavírus mas não tiveram sintomas.
“É possível mas os sintomas não costumam perdurar muito”, afirma
Quando procurar tratamento por causa de sequelas?

De acordo com a médica, o ideal é procurar um serviço médico logo que sentir sintomas que podem ser sequelas da Covid-19. Depois de duas semanas da alta é essencial que o paciente procure um médico para que ele seja medicado de acordo com os sintomas que possa vir a sentir. Luciana ressalta que é importante diferenciar quando uma consulta pode esperar e quando ela é emergencial.
“Uma queixa das pessoas pós-covid é dor no peito e pode ser de sequela pulmonar, dor muscular mas pode ser um infarto. Pode ser muita coisa!”, destaca
Com isso, se o paciente tiver arritmia, dor no peito, crises convulsivas, não está mexendo um lado do corpo, deve procurar atendimento caso sinta algum desconforto perigoso e incapacitante. “Não pode ignorar, o risco pode ser muito grande”, afirma.
Projeto Com.Vida
Luciana é uma das voluntárias do Com.Vida, que atua em todo o Brasil. O projeto foi idealizado pela dentista, e idealizadora do Projeto Com.Vida, Raquel Trevisi, que teve Covid-19 de forma grave, necessitando de 30 dias de internação e 20 dias de UTI. Na ocasião, Raquel perdeu 25 quilos apenas de massa muscular e teve que arcar com todas as sequelas do coronavírus.
Com isso, ela criou o Com. Vida, onde diversos voluntários adotam pacientes que saem de hospitais públicos para o tratamento pós hospitalização. São profissionais de diversas áreas unidos em prol do auxílio aos pacientes pós-covid. “Ela criou esse projeto para quem não tem a oportunidade de um bom atendimento”, diz.
O projeto conta com psicólogos, fisioterapeutas e pessoas da área da saúde. Ele ajuda com doações para acamados que precisam de fraldas, coisas básicas, entre outras coisas. O Com. Vida atende a pacientes por vídeo e tenta alcançar número de voluntários suficiente para atender a pessoas de maneira presencial. “É muito bom poder ajudar nesse momento e ver a gratidão das famílias, não tem preço!”, ressalta a drta Luciana.
Se você quiser ser voluntário do Projeto Com. Vida, acesse o Instagram pelo link: https://www.instagram.com/projeto.com.vida/
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