Desde quando a plataforma Pinterest – usada para compartilhamento de fotos – anunciou que proibiria anúncios com textos e imagens sobre perda de peso no dia 1º, um debate tem sido bastante presente na internet: existe um padrão de corpo perfeito? A rede social acredita que sim, e pede para que outras mídias também façam a mesma coisa, já que muitas pessoas enfrentam desafios relacionados à imagem corporal e a saúde mental.

De acordo com a doutora em Clínica Cirúrgica, mestre em alimentação e nutrição e professora da Universidade Positivo (UP), Marília Zaparolli, a ação do Pinterest é positiva e será ainda melhor se outras redes sociais seguirem o exemplo. A especialista explica que, na prática, é possível perceber que a sociedade impõe um padrão do que seria um corpo perfeito, algo que causa aflição em muitos pacientes.
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“Não existe um peso ideal, um corpo ideal, isso é imposto por nossa sociedade! Inclusive com aquelas medidas das roupas, numerações, elas vem muito com aquele padrão de extrema magreza”, diz
Marília afirma que o trabalho dos próprios especialistas em nutrição não é voltado para um peso ideal. “A gente sabe que hoje o paciente que tem um IMC (Índice de Massa Corporal) até baixo e magro, ele não necessariamente é um indivíduo saudável. O contrário também é verdadeiro. O indivíduo com excesso de peso não é necessariamente alguém que está doente”.
Nas consultas, as nutricionistas avaliam questões como composição corporal, sintomas clínicos, saúde intestinal e vários outros fatores antes de elaborar uma dieta.
Auto aceitação

De acordo com a especialista, a mudança comportamental na alimentação do paciente depende de dois fatores: fazer as pazes com o corpo e com a própria comida. A ideia é entender que a alimentação vai muito além do ato biológico, afinal, o ato de comer pode ser desencadeado por uma série de variáveis.
“Tem o comer afetivo que você se lembra de um alimento na infância, tem uma questão social, de prazer, relacionado a sentimentos, vai muito além do ato biológico. Tem outros fatores a serem considerados. O corpo tem todo um reflexo de uma história de vida”, ressalta
Marília destaca que é parte do trabalho dos nutricionistas focar em diversos fatores com o objetivo de entender de onde surgiu um determinado comportamento alimentar que traz riscos à saúde.
“O que é perfeito pra mim pode não ser perfeito para você. A melhor forma de a gente buscar o que a gente quer é a aceitação”, diz
Julgamentos nas redes sociais

Segundo a especialista, as redes sociais geram um problema sério se fala em falta de aceitação do próprio corpo. Para Marília, muitas pessoas tem a necessidade de fazer comparações umas com as outras. Além disso, as mídias contam com inúmeras dicas de como fazer mudanças no corpo, tudo, de certa forma, associado a uma imagem corporal perfeita.
“A pessoa pensa: por que não consigo isso? Ai gera frustração, que gera um comer transtornado e isso gera um círculo vicioso”, destaca
A nutricionista ressalta que “cada indivíduo, cada metabolismo e cada história de vida” são diferentes. Por isso, o atendimento aos pacientes precisa ser individualizado e os mesmos planos alimentares não devem ser repassados sempre. “A mesma estratégia que funcionou para um pode não ser relevante para o outro”, diz.
Transtornos alimentares

De acordo com Marília, os transtornos alimentares sempre começam com grandes restrições alimentares. No entanto, fatores como contexto familiar e aspectos genéticos também podem influenciar no aparecimento desses problemas.
“Você deve se perguntar como está sendo sua relação com a comida. Caso esteja mais ansioso, comendo de maneira exagerada e se sentindo culpado depois. Você deve ficar atento a esses sinais e sempre que possível buscar o apoio de profissionais específicos”, recomenda
A especialista pede que na identificação de possíveis sintomas de transtornos alimentares, os pacientes procurem ajuda para tratar o problema. Segundo ela, os transtornos podem acontecer em qualquer população, não importa idade, sexo ou etnia.
A nutricionista sugere que os pacientes tratem o corpo com todo o cuidado. Caso alguma pessoa tenha tido problemas com estratégias nutricionais que não deram certo, deve conversar com profissionais como nutricionistas e psicólogos.
“A gente precisa estabelecer outra estratégia para que o corpo responda, se satisfaça e, ao mesmo tempo garanta a manutenção da sua saúde mental”, diz
Para Marília, uma equipe multidisciplinar é fundamental para tratar os transtornos. Segundo ela, com o acesso a informação, a internet pode ter sugestões pouco confiáveis e que podem trazer riscos à saúde. “O grande problema que vejo hoje é o acesso a informação sem base científica”, afirma a nutricionista.
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