Nas últimas semanas, o Brasil tem registrado com cada vez mais frequência um fenômeno: muitas pessoas estão escolhendo qual vacina tomar contra a Covid-19. De acordo com estudo feito pela Confederação Nacional de Municípios (CMN), com 2520 prefeitos de todo o país, 70,1% dos municípios brasileiros registraram casos de pessoas que querem escolher a marca da vacina que vai tomar.
- Prefeituras contra-atacam ‘sommeliers de vacina’ com bloqueio, fim da fila e meme
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Atualmente, quatro imunizantes são aplicados no Brasil: Janssen, Pfizer, Coronavac e AstraZeneca. De acordo com a médica infectologista do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, Dra. Camila Ahrens, a prática dos chamados “sommeliers de vacina” é egoísta e não faz nenhum sentido, já que o propósito dos programas de imunização está em vacinar o maior número de pessoas no menor tempo possível.
“Você está atrasando o seu processo de imunização e ainda atrapalha o dos outros”, diz
De acordo com o estudo da CMN, em mais da metade dos municípios, a pessoa que tenta escoher a dose é informada nos postos de saúde que não há como selecionar uma marca. Com isso, é aplicado o imunizante previamente definido. Em 33,8% das cidades, o “sommelier” perde a prioridade na vacina.

Em alguns casos, para evitar a clássica pergunta “qual vacina vocês estão aplicando hoje?”, muitos municípios orientaram os técnicos de enfermagem a informar o fabricante na hora exata da aplicação. Outra saída encontrada foi fixar um tipo de imunizante para cada faixa etária específica e apostar em campanhas e memes nas redes sociais para tentar driblar a escolha.
“Vacina boa é aquela aplicada no braço, tem muita gente se recusando a tomar vacina mas isso não pode ser uma verdade para a população”, destaca
Só vacina vai frear pandemia

Um estudo feito na cidade de Serrana, Interior de São Paulo, mostrou que a imunização de boa parte da população com a Coronavac rendeu bons frutos. Com 75% de vacinados, a pesquisa comprovou que é possível controlar a pandemia. O detalhe é que a ação foi feita usando o imunizante que mais teve a sua eficácia questionada. De acordo com a Dra Camila, todas as vacinas disponíveis no Brasil funcionam bem na prevenção de casos graves.
No caso, a especialista explica que a eficácia no estudo de Serrana serve para medir como a vacina se comportou no mundo real ao imunizar um grande número de pessoas. A eficácia é diferente da eficiência, que conta com estudos de laboratório e é medida a partir de um ambiente mais controlado. Segundo a médica, o objetivo deve ser vacinar o máximo de pessoas possível para que se possa diminuir o número de internações e reduzindo a transmissão da Covid-19.
“Você tem o direito de se vacinar, mas não de escolha da vacina! Isso é um crime!”, diz.
A especialista defende que prefeituras tomem medidas duras para punir quem tentar escolher qual vacina vai tomar. Segundo ela, é fato que depois da vacinação muitas pessoas se sentem mais seguras e largam as medidas de prevenção contra a Covid-19. No entanto, a imunização não acaba com os riscos de uma pessoa se infectar com o vírus, apenas diminui os riscos de morte. “Esse é o nosso objetivo final”, afirma.
A médica explica que anticorpos só começam a se formar no organismo uma semana depois da imunização. Além disso, ressalta a importância de todo mundo se vacinar já que a imunização contra o coronavírus precisará ser anual no futuro. Ao que tudo indica, o coronavírus veio para ficar. “Essa é a realidade”, diz.
Efeitos colaterais

Camila Ahrens destaca que a grande maioria das vacinas conta com efeito adverso. Além disso, a especialista afirma que os imunizantes são capazes de trazer muito mais benefícios do que problemas. “A vacina pode dar uma dor de cabeça, dor de garganta, mal-estar geral, isso pode perdurar no máximo cinco dias”, diz. A médica ainda acrescenta que em caso de sintomas é possível tomar analgésicos comuns que não farão com que a eficácia do imunizante se perca. “
Antes não pode, depois não tem problema”, ressalta a médica sobre analgésicos
Volta ao normal

Para definir o percentual de população que deve estar totalmente vacinado para o fim das restrições, a especialista ressalta que as autoridades se baseiam sempre em características predominantes em cada município.
“Depende da faixa-etária da população, uma rica em idosos tende a criar menos anticorpos que uma população mais jovem, então tem que levar isso em consideração”, diz
A médica ainda destaca que a imunidade de cada pessoa depende de um agente externo individual. No entanto, essa avaliação do percentual é feita de acordo com uma média da população de cada município.
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