Estima-se que a cada 100 mil pessoas no mundo, de 4 a 600 desenvolvem o ceratocone – alteração na córnea em que ocorre a formação de uma camada, recobrindo o globo ocular. Em 10 de novembro é celebrado o Dia Mundial do Ceratocone, data importante para ressaltar a importância do diagnóstico e tratamento precoce da doença, que provoca um afinamento da córnea, fazendo com que a estrutura fique com formato semelhante a de um cone.

Os dados, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, também apontam que o histórico familiar está presente de 6% a 8% dos casos. Já a Sociedade Brasileira do Ceratocone, informa que o ceratocone é a principal causa de transplantes de córnea no Brasil. Dos mais de 23 mil transplantes realizados ao ano no país, cerca de 13 mil são de córnea.
O cirurgião oftalmológico especialista no tratamento do ceratocone, Ricardo Ducci, explica que a doença se manifesta entre os 13 e 18 anos de idade. “Ela progride por um período de seis a oito anos antes de estabilizar. A mudança de grau pode ser o primeiro fator a indicar uma suspeita, principalmente quando o paciente tem astigmatismo ou alguma dificuldade visual”, afirma.
Coçar os olhos pode piorar deformidade
O ato de coçar os olhos é um dos principais fatores que levam a piora da deformidade. É necessário estar sempre atento a fatores que causam alergia para evitar que os olhos sejam atingidos. Ainda segundo Ducci existem uma série de tratamentos para o ceratocone e o transplante de córnea é a última das opções.
“O uso de óculos e lentes de contato são a primeira opção para a correção. Temos opções cirúrgicas para interromper a progressão da doença, um anel que regulariza a córnea e o laser. É possível combinar essas cirurgias de várias formas e até mesmo implantar uma lente dentro do olho do paciente para tratar o grau de miopia e astigmatismo”, explicou
A cirurgia para o transplante de córnea é mais invasiva. “O paciente precisa saber que existe o risco de rejeição ou falência tardia dessa córnea, apesar de a cirurgia utilizar alta tecnologia e ser segura. O ceratocone raramente leva à cegueira, mas pode causar baixa visão reversível”, alerta.
Como tratar ceratocone?

* Óculos: Em casos mais brandos, inicialmente, o tratamento é feito com a adoção de óculos, por meio da adaptação de lentes corretivas para melhorar a visão do paciente.
* Lentes de contato: O uso das lentes de contato representa, depois dos óculos, a primeira opção para a recuperação visual, uma vez que substituem a superfície irregular da córnea por uma regular, melhorando assim a percepção das imagens. Este tratamento pode ser feito tanto nos casos iniciais quanto nos mais graves da doença.
A indicação do modelo de lente a ser usado é feita pelo oftalmologista, que analisa o desenho mais apropriado para o estágio da doença do paciente. Fique atento, lentes mal adaptadas podem favorecer a progressão do ceratocone e/ou causar perdas de transparência na córnea.
* Cross-linking: É um tratamento por meio do qual se expõe a córnea a uma combinação de radiação ultravioleta (UV-A) e vitamina B2, produzindo um aumento nas ligações entre as fibras de colágeno, fortalecendo toda a estrutura da córnea. É indicado para pessoas que apresentam boa visão com uso de óculos ou lentes de contato, com o ceratocone não muito avançado e que tenham apresentado evolução da doença. A função deste tratamento não é reduzir o ceratocone, mas parar a evolução, evitando a progressão da mesma, ocasionando a sua estabilização.
* Anel intracorneal ou cirurgia de ceratocone: Indicado no estágio moderado do ceratocone, corresponde ao implante cirúrgico de anéis ultrafinos, que funcionam como um esqueleto que remodela e diminui a curvatura da córnea, tornando a sua superfície mais regular.
Os mais utilizados são os Anéias de Ferrara, técnica reversível, sem danos à córnea e não refrativa. Isso significa que, após o procedimento os pacientes continuarão precisando usar óculos ou lentes de contato para melhor qualidade visual.
* Transplante de Córnea: Indicado apenas como último recurso, em apenas 10% dos casos e para pacientes que apresentam ceratocones em estágios avançados, o transplantes consiste na substituição de toda (transplante penetrante) ou de parte (transplante lamelar ou endotelial) da córnea.
Apenas uma minoria dos portadores da doença necessita fazer o transplante, que embora tenha uma recuperação mais lenta se comparada aos outros tratamentos, oferece uma importante melhora no quadro. A cirurgia é realizada com anestesia geral, sedação ou anestesia local – dependendo da condição clínica – e o paciente recebe alta no mesmo dia.
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