Em caso de dificuldades para assistir ao vídeo pelo Portal, acesse pelo Youtube da Rádio Banda B
Um ano e quatro meses após o início da pandemia, Curitiba passa por momentos de queda no número de casos ativos (pessoas que podem transmitir a Covid-19) e redução no número de internamentos (61% dos leitos ocupados) pela Covid-19 na cidade. O cenário mais otimista até resultou em um recente afrouxamento das medidas de restrição na capital paranaense. No entanto, será que a pandemia está perto de ser controlada?
- Curitiba libera funcionamento de atividades sem restrição de horário e eventos com até 300 pessoas
- Empresa pode obrigar funcionário a tomar vacina contra a Covid-19?
- Entenda por que “sommeliers de vacina” atrapalham na imunização contra a Covid-19
A estabilidade da Covid-19 dá um pouco mais de tranquilidade para o trabalho dos profissionais de saúde, mas não é o momento de abandonar as medidas sanitárias. Em entrevista à Banda B nesta sexta-feira (30), o urologista e gerente médico do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, Dr Rogério Fraga, afirma que a população não pdeve relaxar nos cuidados com a saúde. Segundo ele, a situação está longe de voltar ao normal.
“A gente não pode baixar a guarda até ter mais evidências de que a pandemia está acabando”, diz
No entanto, o arrefecimento da pandemia traz uma notícia ainda melhor: a retomada gradual de cirurgias eletivas e tratamento de outras doenças nos hospitais. Apesar da melhora nos indicadores, o Rogério pede para que cada pessoa coloque a mão na consciência e avalie se há a necessidade de se expor a aglomerações. “A pandemia não acabou, como a gente ficou muito tempo restrito aumentou a necessidade de se voltar ao normal, mas não está normal”, destaca.
Para os hospitais, o médico ressalta que a queda da Covid-19 é um momento de reorganização, já que com a baixa, há uma realocação de recursos tanto de maneira física quanto de pessoal. Segundo ele, as equipes do Marcelino Champagnat trabalham sempre com um nível de cuidado máximo com o paciente. Neste momento, todos os profissionais estão acolhendo a demanda que ficou reprimida de pessoas adiando tratamentos.
“Essa queda serve para que nós nos organizemos e retomemos algumas atividades. Ainda com cuidado!”, destaca o Dr. Rogério
Novas variantes

Em relação a possíveis novos picos da Covid-19, o Dr Rogério afirma que as equipes estão vigilantes em relação a isso. “Apesar de tudo ainda estamos em pandemia, com a sombra de variantes e que a gente não sabe como a pandemia vai se comportar.”, diz.
Em março de 2020, ele destaca que ninguém tinha repertório para lidar com uma pandemia. Hoje, é possível trabalhar com mais tranquilidade já que as equipes contam com um protocolo de segurança máxima do paciente. No Marcelino, as equipes são divididas entre profissionais que atendem casos de pessoas com sintomas respiratórios (Covid) e há quem atenda aos casos que não são relacionados à doença.
O Dr Rogério explica que o funcionamento do hospital deve sempre em consonância com os decretos mais restritivos da Prefeitura de Curitiba. No entanto, algumas cirurgias como as oncológicas, urgência e emergência nunca pararam durante a pandemia.
Ele explica que os hospitais são obrigados a constantemente reportar a situação das suas ocupações para a Prefeitura de Curitiba. No caso, por meio da Secretaria de Saúde, o Executivo Municipal consegue perceber se há tendência de queda ou de alta da Covid-19. Por exemplo, se o resultado estiver caindo por 14 dias, é possível considerar diminuição nos casos. Se aumentar em duas semanas, é porque a cidade está em alta.
Impacto da pandemia nas cirurgias eletivas

Para Rogério Fraga, o coronavírus traz impactos diretos no sistema de saúde, sendo preciso garantir que todos tenham acesso a atendimentos médicos quando for necessário. Com isso, se pacientes – especialmente aqueles com doenças crônicas – estão com dificuldade de tratamento ou de acesso aos serviços de saúde, a questão deve ser vista com preocupação.
De acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), em parceria com a organização Vital Strategies e com a Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), entre 1º de janeiro e 17 de abril deste ano, houve 211.847 mortes a mais do que o esperado no Brasil.
O gerente médico do Marcelino Champagnat destaca que a pandemia resultou em mudanças significativas na própria medicina. No caso, cirurgias ambulatorias permaneceram acontecendo e ficou claro dizer qual situação precisava de atendimento hospitalar e qual outra necessitava de ambulatorial. “A Unidade Básica de Saúde virou UPA, A UPA virou hospital e o hospital virou Pronto Internamento”, diz.
“A gente aprendeu que a gente precisa ter um giro de leitos seguro para que cada pessoa fique no hospital o tempo que tem que ficar”, destaca o médico ao reforçar que certas situações precisam de leitos de UTI e outras não
Calendário de vacinação

De acordo com Rogério, o medo da população em pegar o coronavírus fez com que muitas pessoas deixassem de se vacinar. Com isso, a cobertura vacinal para imunizar contra doenças como febre amarela, hepatite e gripe está bastante baixa. “Muitas pessoas também pararam de se vacinar porque unidades que antes ofereciam vacinação não estavam com o serviço de imunização disponível, embora isso nunca tivesse sido cortado”, diz.
No entanto, para o médico, os cuidados sanitários para não transmitir a Covid-19 também ajudaram na queda de doenças sazonais.
“A vacinação começou a ser negligenciada por muitas pessoas por causa do medo”, ressalta Rogério
Segundo o especialista, campanhas de conscientização para outras vacinas também serão necessárias para a retomada do calendário vacinal. Além disso, é importante que o paciente faça “check ups” frequentes para que exames médicos possam antecipar futuros problemas de saúde.
“O conceito de algumas pessoas de não adoecer e ter fatores de comorbidade é uma conquista! Tudo que a pessoa fizer para melhorar sua condição de saúde conta bastante”, finaliza o médico.
📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.