Em todas as entrevistas coletivas que concedeu nos últimos 28 anos, Mário Celso Petraglia sempre usou “inimigos em comum” numa espécie de reaglutinação de forças no Athletico. Normalmente em momentos de dificuldade dentro de campo, o clube trazia à baila o “sistema” do futebol brasileiro, que na visão do presidente do Furacão não quer o crescimento de um clube questionador. É a “rebeldia” que está nas premissas rubro-negras. E nesta última segunda-feira (27) não foi diferente.

Logo em seu pronunciamento inicial, antes das perguntas, Petraglia relembrou antigos desafetos. “Não somos um clube perseguido desde pelo menos 1997. Somos contrários a esse sistema. Brigamos com a CBF, e agora ainda mais com a criação da nossa Liga. Isto nos custou muito, fomos prejudicados por arbitragens. Batemos de frente com eles. Nas duas finais da Libertadores nós pagamos o preço. Mas é o que se tem que fazer“, disse o presidente do Athletico.

Quando fala em ‘sistema’, Mário Celso Petraglia se refere a uma estrutura contestada por ele e pelo Athletico, que reúne a CBF, a Rede Globo, os clubes de Rio de Janeiro e São Paulo e boa parte da crônica esportiva – nacional e local. “A gente não faz parte desse… Desse povo, para não ofender ninguém. Esta gente que comanda o futebol brasileiro há décadas”, resumiu o dirigente.

Razões para o Athletico virar SAF

A transformação definitiva em Sociedade Anônima do Futebol também é um passo ousado do Athletico, garantiu o presidente. “Estamos trabalhando para deixarmos preparado o clube para se tornar uma SAF. Vou continuar trabalhando dentro do que é extremamente estratégico, para dar o último passo da minha missão, que é concretizar o Athletico como um clube-empresa“, afirmou Petraglia.

O valor esperado pelo presidente para o controle acionário do Athletico por um investidor é de R$ 2,5 bilhões. Um ajuste diante do planejado antes, que era de R$ 1,5 bilhão por 49% do Furacão. Admitindo não somente ser minoritário como também fazer parte de uma rede de clubes, Mário Celso Petraglia disse que a mudança pode levar a um faturamento de R$ 800 milhões já no ano que vem. “Se tudo correr bem, faremos uma SAF que nos dê condições pra competir com os maiores clubes das Américas. O nosso projeto ficou caro pois não temos endividamento”, finalizou.

Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico.
“Agora, em 2024, não temos dívida nenhuma, temos dinheiro em caixa e a melhor estrutura da América Latina”, afirmou Mário Celso Petraglia. Foto: Ernani Ogata/Código19

Comunicar erro

Comunique a redação sobre erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página.

Athletico: Petraglia recupera críticas à “sistema” e justifica transformação em SAF

OBS: o título e link da página são enviados diretamente para a nossa equipe.