Professores da rede municipal de Curitiba foram às ruas na manhã desta quarta-feira (8), na Praça 19 de Dezembro, no Centro, mesmo após a Justiça considerar ilegal a greve da categoria e fixar multa diária de até R$ 100 mil ao sindicato. Os educadores irão marchar até a sede da Prefeitura de Curitiba.

A mobilização ocorre no mesmo dia em que pais relataram funcionamento parcial das escolas, com falta de professores em algumas unidades e alunos sendo reunidos em salas, apesar da orientação de atendimento normal por parte da prefeitura.

Foto mostra professores da rede municipal de ensino de Curitiba se reunindo na Praça 19 de Dezembro, no Centro, diante da greve considerada ilegal pela Justiça. Eles seguram no alto balões roxos e amarelos.
Professores da rede municipal de Curitiba se reúnem na Praça 19 de Dezembro e marcham em direção à prefeitura. Foto: Kainan Lucas/Colaboração/Ric RECORD

Durante o ato, a presidente do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), Diana Abreu, afirmou que a paralisação é uma resposta ao que classificou como “descaso” da gestão municipal.

“As escolas municipais pararam hoje porque a prefeitura nos trata com descaso. Não valoriza os professores, não garante condições de trabalho e mantém um monte de situação irregular dentro das escolas municipais”, disse.

A sindicalista também listou problemas enfrentados na rede, como falta de profissionais, ausência de apoio a alunos com deficiência e salas superlotadas.

“Ilegal é não ter professor para atender as crianças autistas, não ter número suficiente de professores, salas superlotadas. Ilegal é não cumprir a lei do piso e não garantir hora-atividade”, afirmou.

Greve de professores em Curitiba é mantida

A greve foi definida em assembleia com mais de 2,5 mil professores, que rejeitaram a proposta apresentada pela prefeitura. A categoria cobra avanço na carreira, contratação de profissionais aprovados em concurso, além de benefícios como vale-alimentação e vale-transporte.

Apesar disso, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) entendeu que não houve esgotamento das negociações e determinou a suspensão do movimento, sob pena de multa e desconto salarial dos servidores que aderirem.

Foto mostra fachada da Escola de Ensino Fundamental Professor José Wanderley Dias, no Barreirinha. Portão está fechada e há uma faixa na frente. Escola foi afetada pela greve de professores em Curitiba
Fachada da Escola de Ensino Fundamental Professor José Wanderley Dias, no Barreirinha. Foto: Djalma Malaquias/Banda B

Mesmo com a decisão, o sindicato manteve a mobilização e afirma que a paralisação é legítima. “Quem decide quando voltam as aulas é o prefeito e o secretário de Finanças”, disse Diana.

A diretora do Sismuc, Alessandra Oliveira, também participou do ato e afirmou que o movimento reúne diferentes categorias do funcionalismo.

“Estamos com servidores da educação, saúde e outras áreas. É uma luta por crescimento na carreira e condições básicas, como alimentação”, declarou.

Ela também criticou o desconto previdenciário de aposentados e disse que, mesmo com a greve, serviços essenciais seguem mantidos.

Multa de R$ 100 mil

Em decisão liminar, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira apontou que não houve esgotamento das negociações nem garantia de manutenção de serviços essenciais, além do descumprimento do prazo mínimo de comunicação.

A decisão estabelece multa diária de R$ 100 mil ao Sismmac caso a paralisação seja mantida, além do desconto salarial dos servidores que aderirem. Em outra liminar, o desembargador Coimbra de Moura também determinou que o sindicato não impeça o acesso de servidores e usuários às unidades, sob pena de multa de R$ 20 mil por dia.

A Prefeitura de Curitiba afirma que as escolas e CMEIs devem seguir com atendimento normal e sustenta que mantém diálogo com a categoria. Já o sindicato contesta a decisão e afirma que a paralisação é legítima diante das condições enfrentadas pelos profissionais.

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