Alguns pais de alunos da rede municipal de Curitiba levaram os filhos normalmente às escolas na manhã desta quarta-feira (8), apesar da greve convocada pelo magistério. A paralisação foi considerada ilegal pela Justiça, que determinou multa diária de até R$ 100 mil ao sindicato em caso de descumprimento.

Foto mostra mãe ao lado do filho pequeno em frente a uma escola municipal do Bom Retiro que foi afetada pela greve de professores em Curitiba
Mãe afirma que poucos professores deverão aderir à greve em escola onde filho estuda. Foto: Djalma Malaquias/Banda B

Em diferentes regiões da cidade, o cenário foi de funcionamento parcial e incerteza. Na Escola Municipal Mirazinha Braga, no Bom Retiro, uma mãe relatou que a orientação foi de aula normal. “Disseram que era pra ter aula normal porque não informaram os pais de que não teria aula. Nem todos os professores aderiram à greve. Poucos não vão vir”, afirmou.

Já na Escola de Ensino Fundamental Professor José Wanderley Dias, no Barreirinha, um funcionário disse à Banda B que muitos professores compareceram e que os pais levaram os filhos normalmente.

Foto mostra pai e crianças parados em frente a uma escola municipal afetada pela greve de professores, em Curitiba
Pai diz que precisou levar filha para escola. Foto: Djama Malaquias/Banda B

Na Escola Municipal Romário Martins, no Cachoeira, a decisão também foi prática. “Minha esposa e eu trabalhamos e temos que deixar na escola”, disse um pai.

Em um CMEI da região do Centro Cívico, a situação foi diferente. Segundo um pai, a direção informou que apenas quatro das 21 professoras estariam presentes. “Eles vão juntar os alunos, os maiores com os menores”, contou.

Professores da rede municipal aderem greve

A greve foi definida em assembleia com mais de 2,5 mil professores, que rejeitaram a proposta apresentada pela Prefeitura de Curitiba. O Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac) classificou a oferta como “insuficiente” e anunciou o início da paralisação para esta quarta.

Foto mostra fachada da  Escola de Ensino Fundamental Professor José Wanderley Dias, no Barreirinha. Portão está fechada e há uma faixa na frente. Escola foi afetada pela greve de professores em Curitiba
Fachada da Escola de Ensino Fundamental Professor José Wanderley Dias, no Barreirinha. Foto: Djalma Malaquias/Banda B

A categoria cobra avanços na carreira, melhores condições de trabalho e valorização salarial. Segundo o sindicato, há professores há mais de uma década sem progressão, além de problemas como salas superlotadas e falta de profissionais de apoio.

Multa diária de R$ 100 mil

Após o anúncio da greve, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) considerou o movimento ilegal. Em decisão liminar, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira apontou que não houve esgotamento das negociações nem garantia de manutenção de serviços essenciais, além do descumprimento do prazo mínimo de comunicação.

A decisão estabelece multa diária de R$ 100 mil ao Sismmac caso a paralisação seja mantida, além do desconto salarial dos servidores que aderirem. Em outra liminar, o desembargador Coimbra de Moura também determinou que o sindicato não impeça o acesso de servidores e usuários às unidades, sob pena de multa de R$ 20 mil por dia.

Professores que aderiram greve se concentram na Praça 19 de Dezembro, em Curitiba
Professores que aderiram à greve se concentram na Praça 19 de Dezembro, em Curitiba. Foto: Kainan Lucas/Ric RECORD

A Prefeitura de Curitiba afirma que as escolas e CMEIs devem seguir com atendimento normal e sustenta que mantém diálogo com a categoria. Já o sindicato contesta a decisão e afirma que a paralisação é legítima diante das condições enfrentadas pelos profissionais.

Diante das recentes decisões judiciais, o sindicato disse que “ilegal é a prefeitura submeter as professoras e os professores às péssimas condições de trabalho”. “Ilegal é a prefeitura abandonar as escolas e impedir o direito das crianças da nossa cidade a um futuro melhor”, diz trecho de nota.

Sindicato convoca manifestação

Apesar de a Justiça considerar ilegal o movimento dos professores, o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba manteve uma manifestação que estava prevista para começar às 8h30 na Praça 19 de Dezembro, na região central.

Por volta das 8h15, dezenas de educadores já se concentravam no espaço para, em seguida, caminhar até a sede da Prefeitura de Curitiba. O horário da concentração e início do protesto, porém, foi alterado para 9h30.

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