Os trabalhadores da Auto Viação Mercês, empresa que opera parte do transporte coletivo de Curitiba, começaram a ter os salários pagos nesta quarta-feira (14), após a paralisação que deixou ônibus fora das ruas e impactou principalmente os bairros Santa Felicidade e São Braz. A informação foi confirmada pelo Setransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba), que afirmou que o pagamento está sendo realizado pelo Consórcio Pontual e deve ser concluído até o fim da tarde.

paralisação-trabalhadores-onibus
Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

A paralisação ocorreu nas primeiras horas do dia, quando nenhum ônibus saiu da garagem da empresa. Motoristas e cobradores alegaram atraso no pagamento dos salários e nos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A situação gerou transtornos a milhares de usuários do transporte coletivo, que enfrentaram atrasos e falta de informações nos pontos de ônibus.

Em nota oficial, o Setransp informou que, além do pagamento aos colaboradores da Mercês, as empresas Transporte Coletivo Glória e Auto Viação Santo Antônio têm condições de operar 100% das linhas atualmente atendidas pela Mercês a partir desta quinta-feira (15), desde que a Urbanização de Curitiba (Urbs) formalize a determinação em tempo hábil.

O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Ricardo Sales, afirmou que os atrasos salariais vinham se acumulando desde dezembro. “Os funcionários já não aguentam mais. Tem gente com aluguel atrasado, pensão atrasada. Não tem como continuar trabalhando sem receber”, declarou.

A Auto Viação Mercês informou que os atrasos ocorreram por “intercorrências pontuais no processamento bancário” e afirmou que a regularização integral da folha salarial está sendo feita por meio do consórcio. A empresa também reconheceu a insatisfação dos trabalhadores e disse compreender a paralisação.

A Urbs destacou que os pagamentos do município às empresas concessionárias estão em dia e reforçou que a relação trabalhista é de responsabilidade exclusiva das operadoras. O órgão também lembrou que paralisações devem ser comunicadas com 72 horas de antecedência, conforme prevê a legislação.

Segundo o Setransp, a situação da Auto Viação Mercês é pontual e não reflete o cenário geral do transporte coletivo de Curitiba, que segue operando normalmente nas demais linhas. Com a confirmação do pagamento, a expectativa é de normalização gradual do serviço e retomada integral da operação nos próximos dias.

Empresa notificada

A Urbs informou que notificou, no fim da tarde desta quarta-feira, a Auto Viação Mercês e o Consórcio Pontual para que apresentem, no prazo máximo de cinco dias corridos, os comprovantes de pagamento de verbas trabalhistas em atraso, bem como um plano que ateste capacidade operacional para atuar no transporte coletivo. 

A Urbs também notificou o Consórcio Pontual para que as outras duas empresas que o integram – Glória e Santo Antônio – assumam as operações da Viação Mercês, conforme regra contratual. Nesta quarta-feira, motoristas e cobradores da Auto Viação Mercês fizeram uma paralisação em protesto contra o atraso no pagamento de salários.  

“Fomos surpreendidos pela paralisação dos funcionários da Mercês, mas garantimos a operação normal já no início do dia, sem filas e aglomerações, com o remanejamento das linhas para outras empresas. A Urbs tomou providências rapidamente para minimizar o impacto”

afirmou o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto.
onibus-interbairros-consorcio-pontual-curitiba
Foto: Pedro Ribas/SMCS/Arquivo.

Notificações

Segundo a Urbs, a Viação Mercês vinha sendo notificada desde o ano passado por atrasos em pagamentos, além de problemas no atendimento e reclamações relacionadas à manutenção e à quebra de ônibus. Desde outubro do ano passado foram, 541 notificações por atendimento inadequado – supressão de viagens e descumprimento de tabela de horários – e duas por falta de pagamento aos funcionários. 

O presidente da Urbs destacou ainda que todos os repasses do município às empresas de transporte coletivo estão rigorosamente em dia, conforme os contratos vigentes. “Não há qualquer pendência financeira por parte do município”, reforçou.

A Urbs informou ainda que, diante dos atrasos salariais recorrentes da Viação Mercês, foi necessária a retenção de valores do consórcio para garantir o pagamento do 13º salário no fim do ano passado. Situação semelhante ocorreu em janeiro, quando a Urbs reteve os valores desde o início da semana e solicitou à empresa os dados necessários para que o consórcio realizasse diretamente o pagamento dos funcionários.

Redistribuição de linhas

Se não forem cumpridas as solicitações previstas na notificação, a Urbs e o Consórcio Pontual elaborarão um plano de reorganização da distribuição definitiva de linhas entre as operadoras Glória e Santo Antônio. Nesta quarta-feira, além das operadoras do Pontual, empresas de outros consórcios foram mobilizadas emergencialmente para dar atendimento aos passageiros que utilizam linhas operadas pela Mercês. 

Graças ao trabalho liderado pela área de fiscalização e operação da Urbs, a reorganização foi rápida. A Mercês opera dez linhas que também são compartilhadas com outras empresas: 022- Inter 2 (horário), 023 – Inter 2 (anti-horário), 040 – Interbairros IV,  464 – A. Munhoz/Jardim Botânico, 817 – Saturno/Veneza, 821- Fernão Dias, 901 – Santa Felicidade, 902 – Santa Felicidade/Praça Tiradentes, 911- Passaúna; e 979 – Linha Turismo. A empresa atua com outras sete linhas exclusivas X46 – Especial Mercês; 150 – C. Musica/V. Alegre; 912 – José Culpi; 913 – Butiatuvinha; 915 – O. Verde/V. Bádia; 967 – Júlio Graf; e 972 – Jardim Itália.